Sobre o livro
O presente ensaio é uma análise das obras Casa Grande & Senzala e Sobrados e Mucambos à luz das relações de grupos e categorias sociais estudados por Gilberto Freyre para a compreensão da formação social da civilização brasileira.
Nosso trabalho não pretende fazer um cotejo sistemático e periodizado do pensamento freyriano com o presente social, político, étnico, cultural e econômico que nos legaram quinhentos anos de processo civilizatório.
Apesar disso, tais cinco variáveis são referidas pelo fato mesmo de a análise se assentar numa crítica ao conjunto de teorias e ideias do autor pernambucano, as quais se ocuparam em compreender a diversidade e pluralidade daquele rico painel em suas dinâmicas universais internas e externas.
O que pretendemos esboçar é uma crítica do que denominamos teoria da integração.
Pedra angular do pensamento de Freyre, esta teoria é, por assim dizer, o eixo das teses do intelectual pernambucano para explicar convergências e contradições, insurgências e ressurgências, equilíbrios e desequilíbrios peculiares à formação da sociedade brasileira.
Para fundamentar nossa crítica, faremos uso de algumas teorias sociais e políticas a fim de balizar a exposição e análise das ideias do sociólogo, a partir dos conceitos de patrimonialismo, imaginário e hegemonia, numa perspectiva dialética.
O método dialético parece-nos o mais indicado para analisar as ideias de Gilberto Freyre, dado que este trabalha com categorias e grupos sociais que se relacionam dialeticamente na construção de uma “civilização plástica”, porque, no limite, originada de uma colonização e mentalidade plásticas implantada pelo homem português.
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