Para as prostitutas da minha infância: As cartas que nunca escrevi

Por Douglas Chaves

Sobre o livro

Há memórias que nos visitam como fantasmas delicados — não pedem licença, apenas se instalam. Neste livro, a infância não é território de inocência, mas de descobertas silenciosas, desejos inomináveis e segredos guardados entre portas entreabertas e luzes de néon.

O autor vasculha a criança que foi com respeito absoluto ao olhar daquele menino, sem ironia, sem julgamento, acolhendo do alto — com a consciência do adulto — cada acontecimento vivido em um contexto incomum para uma criança, mas que precisa ser visto para além da moral apressada e dos rótulos fáceis.

Entre cartas nunca enviadas e confissões que ardem como febre, o autor constrói uma narrativa que não busca a “coisa” como realmente foi, mas as sensações que ficaram, aquilo que pulsa na memória como verdade emocional.

Literatura e t eatro se entrelaçam: o gesto traduz o que as palavras escritas não alcançam; o livro não existe sem a peça, e a peça não existe sem o livro, numa obra que atravessa o corpo para poder existir.

Intenso, íntimo e necessário, este é um relato que mistura memória e invenção, realidade e fabulação, compondo uma autoficção difícil de catalogar em um único gênero — sedutora, inquietante e profundamente humana.

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