o mapa desconexo

Por José Humberto da Silva Henriques

Sobre o livro

Esse romance longo, denso, estruturado, narra as aventuras de um garoto ao longo de sua juventude. Da mesma forma, um dia Humberto Henriques percorreu esse mesmo território e há de ter sentido as mesmas ilusões que são as reveladas pelas personagens nesse livro epigramático.

A linguagem é mais despojada do que aquela tessitura erudita que acorre em romances do autor, mesmo alguns da mesma fase temporal de criação.

Na verdade, se estamos cá a falar da Lagoa Formosa – como é o caso desse livro – ouse estamos a falar do Brejo Bonito ou do Cruzeiro da Fortaleza, tudo seria a mesma coisa. Mesmo que o assunto chegasse a Patrocínio dos idos tempos da década de 1960.

Todo o texto é dedicado às crianças desse tempo dessa época. E Henriques revela que a cópia idêntica dessa sua personagem foi baseada na figura emblemática de um menino que se chamava Zé Antônio, filho do Ozório e da Niza.

Esse garoto, baixote e da cor de cuia, cabeçudo, inteligente, asmático, foi parte da juventude de Humberto Henriques, nos dedicados tempos de muitos folguedos, o estilingue e as arapucas, a espingarda de ar comprimido e outros artefatos próprios daqueles dias.

Mesmo a espingarda de ar comprimido, calibre 4,5 mm, era um luxo que só os mais abastados podiam deter. E esse não era o problema entre as crianças, todos participavam do mesmo entretenimento e não havia restrições o racismo, nenhum preconceito entre as partes.

A tessitura da construção é baseada em fundo de Minas Gerais. É um dos romances mais autênticos do autor. Na verdade, O Mapa Desconexo é uma obra-prima da Literatura Universal e nos traz aquele mundo de antanho ainda intocado.

Nada de tecnologia, nada de exacerbação de ciências e outras conotações de progresso. Não que o livro seja contra isso. Aliás, o autor não dá palpites quaisquer no desenrolar da trama. Apenas conta a história desses meninos fabulosos.

E os deixa percorrer a própria senda da individualidade, cada um com seus marcos, suas marcas, seus requisitos avultados entre alegria e amarguras, estes sentimentos que acabam mesmo sendo comuns em toda variação de humanidade que possa ser destrinçada no todo.

É esse portanto, o sem mistério desse romance cheio de pompa. Desses livros que tenho lido para posteriormente tentar fazer sua apresentação, esse é um dos mais cativantes e talvez o que mais me tocou a alma. Sendo assim, já basta como palavra de um tutor de pequenas ideias. Pequenas, mas vivazes.

O Mapa Desconexo conflui sempre para a banda lúdica da existência. A figura desse menino baixote, agora revelada por aquele nome do menino brejense – que aliás, diga-se de passagem, se estiver vivo deve contar com uns 58 anos de idade – traz um lance de muito proveito em todo o romance.

Henriques não faz concessões ao modo desse garoto sonhar e voar para mundos distantes. É por isso que o livro de chama O Mapa Desconexo, justamente pelo fato dessa personagem ser encabulada e encantada com o nome de cidades. Isso é uma espécie de previsão para viagens.

A todo momento, tendo a oportunidade de meter a sua voz ao discurso direto, o menino manda ao texto o nome de uma cidade que está a impregnar a sua memória. Fica evidente que não conhece nenhuma, mas fala os nomes com a garantia de uma sedução semântica, musical, lírica e onírica.

Quando liberta o nome de uma cidade, por exemplo, simplesmente diz Teófilo Otoni, seu mundo se revela nessa concepção imediata de um mundo que, um dia, com certo esforço, poderia conhecer e até mesmo viver nele. É a busca pela cor dos elementos discutíveis.

Infância saudável, vivida ali pelos lados da Lagoa Formosa, no Alto Paranaíba. Entre bolas de gude, as tais bilocas e viagens imaginárias em cabeça de uma das personagens, todo um universo de fantasia se descortina.

E tudo anda às mil maravilhas, tirante algum fundamento que gera e gere a vida que existe sobre a face desse mundo. Porém, a maioria do entrecho, sua dissolução dentro da imagem que se forma e acompanha o desenrolar do romance, o otimism

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