Tanger 170

Por Marcos Martin

Sobre o livro

Naquela manhã a névoa rala e fria já cobria meu rosto quase completamente. E isso, diferentemente das outras pessoas que caminhavam, não me deixava nem um pouco preocupado.

Sabia apenas que, por alguma ironia do destino, eu estava ali, postado do outro lado da rua, como se fosse um soldado da guarda real inglesa, que se mantém imóvel custe o que custar, inerte a qualquer movimento, que apenas observa tudo com olhar atento a qualquer movimento suspeito.

Eu encontrava-me exatamente defronte ao número 170 de uma rua bastante comum para muitas pessoas, exceto para mim, é claro. O logradouro tinha um nome bastante estranho em relação às outras ruas, mas, devido ao bairro em que se encontrava, isto era justificável: Rua Tanger.

E eu, pacientemente, observava se naquela casa havia algum sinal de movimentação. Havia perdido a noção do tempo e não sei a quanto tempo estava ali, se alguns minutos ou talvez algumas horas.

Estranhamente sentia que o tempo parecia ter parado no momento em que eu olhei para a casa, e como sonhador que era, e, obviamente, continuo sendo, imediatamente minha mente começou a vagar por lembranças daquele lugar de há muito, muito tempo que eu tinha conhecido e, como num piscar de olhos, eu comecei a ver imagens de uma época inesquecível e maravilhosa que marcaram parte da minha vida.

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