Schopenhauer e o Kung Fu

Por Caléu Moraes

Sobre o livro

“Que outro escritor brasileiro, além de Caléu Moraes, seria capaz de colocar, num mesmo romance, Arthur Schopenhauer, Jackie Chan, o Buda, prostitutas eruditas, Fernão Mendes Pinto, o Caquesseitão, Camilo Pessanha e sir Richard Francis Burton? Não por acaso, ele já foi chamado por Carlos Henrique Schroeder de ‘um Vila-Matas tropical e anárquico’.

Schopenhauer e o Kung Fu é um romance escrito à maneira de uma tese acadêmica, mas uma tese acadêmica divertida e inspirada – algo pouco usual, digamos. E qual a tese defendida com esmero em suas 150 páginas?

A de que o filósofo alemão teria sido um praticante da antiga arte marcial, e que a teria colocado em prática em pelo menos duas ocasiões: para empurrar uma bisbilhoteira escada abaixo (um caso notório na biografia de Schopenhauer) e matar um vampiro na Inglaterra.

Mas esta obra também é escrita à maneira de um romance policial, pois narra uma investigação. E é também a história de uma perda. O que nela é verdade, e o que é mentira?

Caléu Moraes nos explica, talvez confundindo ainda mais as coisas: ‘Na verdade, a conversa com Jackie Chan e as aventuras do pensador alemão, as agruras do meu pai e o sofrimento dentário são fatos reais.

Meu texto, neste sentido, é um trabalho de não ficção, à maneira do de Carrère, por exemplo, em O adversário. O narrador sou eu, de fato. Não há um outro eu; isto não é um texto dissertativo. Talvez, quando o comecei, pretendia escrever um livro de história. Fracassei, contudo.

É preciso preencher, de quando em vez, uma que outra lacuna nesta história maluca, com exercícios de imaginação’.

Caléu Moraes é fã do koan, as historietas, diálogos e anedotas de mestres zen que servem para destruir a lógica e nos fazer superar o discurso racional – técnica semelhante ao tetralema indiano, que abrange todas as possibilidades lógicas de uma forma aparentemente contraditória, novamente para nos arrancar do simplismo ocidental de imaginar que toda afirmação é verdadeira ou falsa.

Segundo Nagarjuna, por exemplo, toda afirmação é verdadeira e falsa; igualmente verdadeira e falsa; nem verdadeira, nem falsa. Essa é a chave para entender o romance Schopenhauer e o Kung Fu. Ou melhor, não para entendê-lo, mas para desfrutá-lo.”

Marcelo Nunes

“”O estilo de Caléu Moraes mistura sátira, ironia, ficção, pesquisa histórica e ensaio numa escrita que parece brincadeira, mas no fundo é muito séria. Certamente um dos meus escritores contemporâneos favoritos.”

Eleazar Carrias

“Erudito sem distender o humor, inventivo ainda que seja centrado em uma figura muito conhecida, o romance envolve o leitor sem querer ser professoral, apenas uma história que quer ser contada. A história de uma vontade.”

Andreas Chamorro

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