Sobre o livro
Nos acostumamos a ler fantasia em forma de prosa. Nós, leitores ávidos desse gênero, somos geralmente formados e regados à Senhor dos Anéis, Crônicas de Gelo e Fogo e afins, e estamos já habituados a encontrar histórias aventurescas no molde de parágrafos longos, com direito a extensas descrições sobre pastos verdejantes, peles ásperas de monstros e épicas batalhas narradas em detalhes minuciosos.
E esse é um ótimo modo de se ler fantasia, não há dúvidas.
Mas parece que, nesse caminho da contemporaneidade e das narrativas atuais, nos esquecemos um pouco de Homero, Dante, Milton e tantos outros que nos apresentaram epopeias, aventuras e universos fantásticos em forma de versos, cujas histórias corriam diante de nossos olhos na velocidade em que cada canto iniciava e findava.
E essa, na minha humilde opinião, é uma das formas mais brilhantes de se escrever fantasia: apelar para o imaginário do leitor e para a poesia que pulsa em seu coração, em linguagem suave e sutil, sem longas descrições de cada brilho de cada metal de cada espada de cada guerreiro.
Ao ter o privilégio de ler os poemas deste livro em primeira mão, senti resgatar em mim as sensações de ler as obras dos autores citados acima.
A leitura de cada poesia me trouxe o sentimento de estar sentada sobre relva observando um céu estrelado, assistindo o voo rasante de um ou outro dragão acima de minha cabeça.
Com meus companheiros de aventura, invadi torres e castelos, contei e ouvi histórias em tabernas escuras e rodas noturnas circundando uma fogueira, me deparei com princesas perdidas e monstros perversos, tudo isso embalada pelo som cálido de uma lira e um ocasional retinir de espadas.
Cada autor desta obra, com sua escrita e criatividade única, soube produzir uma primorosa imersão do leitor em mundos e terras mágicas e distantes, de maneira a atiçar a imaginação e fazer brilhar os olhos, sem dever nada para narrativas proseadas.
E, se você está tendo o privilégio de se deparar com essas páginas, convido com prazer a conhecer estas histórias, e aconselho a lê-las devagar, saboreando cada verso, deixando que sua mente visualize cada paisagem, ouça cada som e sinta cada cheiro — embora alguns, como bafo de dragão, não sejam tão agradáveis.
E aconselho ainda que tenha em mãos seu escudo, seu banjo ou lira, sua espada ou seu porrete, e se prepare para embarcar nas mais perigosas e fascinantes jornadas. E não tenho dúvidas de que se encantará com cada história, e que essas permearão sua mente por eras a fio.
E, para provar minha certeza, aposto com você um barril de hidromel.
Bia Chaves
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