Sobre o livro
quando eu amo, amo demais. quando eu sofro, sofro demais. não consigo fingir o que sinto. já tentei ser diferente, mas morri na tentativa. ser intenso é a pior e a melhor coisa da minha vida. tudo é em dobro: os pensamentos que não param, a ansiedade a mil pela mensagem não recebida, a emoção visceral impregnada em cada atitude.
já tentei me importar menos, fingir que não estava interessado, mas quem disse que consegui? sofro demais por ser assim, porque sempre espero muito das pessoas. sempre espero o melhor e, muitas vezes, recebo o pior. aí me frustro, me chateio, choro e me culpo, mais uma vez, por ter amado demais.
no dia seguinte, acordo achando que nunca mais vou amar outra vez, mas é só o amor passar pela minha porta que me atiro de novo, não consigo me fechar.
o amor me move, me sacode, me penetra, me transforma e me cura de toda a bagunça que me causaram. o amor não tem culpa de nada. é claro que não sou mais o mesmo, não me entrego mais sem a minha rede mínima de proteção.
se o outro me deu liquidez, não tenho que me culpar por isso. ele deu o que tinha pra dar. o importante é que dei mais do que algo líquido, eu dei profundidade, imensidão, terreno fértil. esse sou eu, por isso, não deixo que ninguém me culpe por ser intenso. como me culpar por algo que é o melhor de mim?
prefiro ser intenso a ser frio, raso, mísero, metade. aqui não vai ter economia de afeto, abraços pela metade e amor de meia-tigela. tudo que tenho pra dar é imenso, fica quem quer.
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