A construção de sentidos fascistas para a palavra democracia em dizeres de Jair Bolsonaro: Uma análise a partir da semântica do acontecimento
Por Luan Emerich ArmaniSobre o livro
O que significa a palavra democracia? É possível defini-la objetivamente? Questões espinhosas e inescapáveis que nos levam a outras de não menor relevo: qual é a relação entre a linguagem e mundo? Os sentidos das palavras podem ser objetivamente definidos?
Esse trabalho partirá do pressuposto de que as palavras são, por sua natureza própria, polissêmicas. Dizendo com Michel Bréal: “Os nomes dados às coisas são necessariamente incompletos e inexatos”.
Polissemia e incompletude, no entanto, não implicam em absoluta subjetividade: as palavras são marcadas pela materialidade histórica e política. Assim, a democracia, tal qual Jano, a um só passo responde ao passado e aponta para um futuro de sentidos.
Através de um breve percurso histórico, este opúsculo almeja lançar luz ao movimento polissêmico da democracia, contrastando o sentido dessa palavra na constituição cidadã de 1988 com a construção de sentidos fascistas para a democracia em dizeres de Jair Bolsonaro.
Se Bolsonaro ou seus dizeres são fascistas, se é politicamente correto, adequado ou desejado categorizá-lo com tal predicado, essas são questões que se apresentam de modo contencioso.
Emprestando a caracterização que Umberto Eco faz do Ur-fascismo, a reflexão pretendeu demonstrar que os dizeres de Bolsonaro se enquadram em todos os 14 critérios estabelecidos pelo autor italiano.
Ecoando Umberto: “estamos aqui para recordar o que aconteceu e para declarar solenemente que ‘eles’ não podem repetir o que fizeram.”
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