Memórias e Confissões Platônicas: reflexões filosóficas – a vida de um seminarista pré–noviço

Por Hilário Coutinho

Sobre o livro

Um bom rapaz, com menos de vinte anos, renuncia a vida pacata e sua bela família, bem como uma linda moça, e busca ser padre missionário redentorista. Após uma década de dedicação, alegria e entrega vocacional, se apaixona perdidamente por uma linda moça, e sofre profundas dores morais.

Em crise vocacional, o seminarista chora sete meses em silêncio sepulcro, sem revelar a ninguém sua paixão amorosa. A moça o seduzia cada vez mais, enquanto ele tentava vencer a tensão e o tesão pelo belo corpo de mulher, sempre ardente e sedutor.

Após um ano de dor, decide deixar a moça e ir para o noviciado. Porém, mesmo sem ter cometido pecados graves, foi expulso do seminário pelo padre diretor que cuidava de sua formação religiosa. Sem pecado e sem juízo, ele se entrega à mulher amada e busca a felicidade, agora livre de censuras morais.

Apesar de fiel e muito carinhoso, o ex. seminarista foi traído e abandonado pela namorada. Após brutas alucinações e planos suicidas, foi salvo por uma amiga e protegido por sua mãe.

Esta obra revela, por testemunho ocular, as virtudes e os pecados dos altares, e questiona a distância entre formador e formando na busca do sacerdócio. Fala da alegria e sofrimento dos seminaristas em busca do sacerdócio na vida de seminário.

Deixa claro sobre a beleza dos trabalhos missionários pelos padres felizes e realizados na vocação. Exalta o valor das pastorais evangelizadoras ao povo carente de fé e esperança. Porém, não omite reflexões críticas e solidárias sobre o problema crucial entre o peso da batina e a leveza de uma saia.

Confessa, pelo visto e sentido, a verdade inconfundível: ” na absoluta maioria dos casos de desistência de um sacerdote do seu ministério, a causa sempre é a mesma: ” entre a ascensão de uma saia e a queda de uma batida, há um padre angustiado e sofrendo o crivo da dor vocacional.

O autor questiona a maneira desumana de os seminaristas serem excluídos do seminário, mesmo quando querem permanecer. Por fim, Hugo agradece os padres formadores que o ajudaram a ser o que é hoje como pessoa, esposo e pai de filhos muito amados.

O livro faz uma bela reflexão entre os fenômenos do amor, da vocação sacerdotal e a questão da lei do celibato do clero. Para o autor, o problema crucial da vida de um padre religioso, não é a lei do celibato em si, mas o fenômeno da castidade.

Em síntese, a Igreja como instituição evangelizadora, precisa mais de cristãos felizes que de padres hipócritas. Casar ou abrasar-se, eis a questão. “No meio do caminho tinha uma mulher, tinha uma mulher no meio do caminho “, e agora, Hugo?

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