Quenta–Sol

Por José Humberto da Silva Henriques

Sobre o livro

Surge mais uma novela de caráter emblemático desse grande produtor de Literatura, quiçá um dos mais produtivos dos tempos atuais em todo o planeta. Segundo o autor, esse nome de Quenta-Sol vem perseguindo a sua imaginação desde tempos imemoriais.

Trata-se de uma condição atávica e ibérica do autor, que vê nesse chavão de “quentar sol” uma das práticas de palavras que estão em desuso, portanto, são expressões estereotipadas pelos habitantes das áreas urbanas, porém, que permanece intacto em muitos rincões do Brasil.

Sendo assim, é típico que se possa ouvir esse tipo de expressão por aí, de norte a sul, sendo deveras muito expressivo o fato de quentar sol ser uma tarefa factível, por mais que seja desafiador e pendente o âmago da questão, já que o nosso sol não carece desses elementos de ser quentado, posto que apenas palavras, sempre permanece na imaginação popular como referência aos anciãos que pitam seus cigarros de palha, acocorados à porta da sala de suas casas, isso quase sempre nos referenciais meses de junho e julho.

Ao autor isso não há de ter passado sem percepção, por isso o nome de Quenta-Sol para mais um livro que surge nos tempos de reclusão doméstica por conta da pandemia.

Esta novela, Quenta-Sol, trata da vida de uma família do interior, muito ligada ao esboço dos limites entre Goiás e Minas Gerais, sítio onde o autor encrava o pano de fundo dessa obra espetacular. O tema é simples e mostra a intimidade familiar desse mundo ensolarado.

A trama é sutil, introspectiva e nada interessada por malabarismos. Não chega a apresentar nenhum tipo de tragédia, por isso mesmo, navega toda a história na jangada de um assunto corriqueiro, entretanto, recheado da mais constante intimidade do autor com suas personagens.

Sendo assim, Henriques deslinda a possibilidade de uma ostentação espetacular de cada existência, demonstrando, a dizer o fato verídico, uma espécie de transição temporal entre as vidas que são experimentadas no pequeno romance. De fato, a elaboração da tragédia pela violência aqui passa ao largo.

Não atinge o texto.

Quando ela é aventada, a tragédia com seus segmentos de morte e sangue, a evolução do pensamento humano, tudo sustentado pelas pequenas tecnologias do século passado que acabam sendo fixadas à terra do Quenta-Sol, acaba por se diluir na ação seguinte, aquela que deturpa a mente do violento para a busca de uma solução que mereça mais contemporização.

De tal forma é inteligente e limítrofe esse assunto, que muitas vezes o leitor pode confundir esse desenvolvimento da trama com certa repetição de valores, tamanha a sutileza com que tudo acaba sendo envolvido.

Por isso mesmo, Quenta-Sol é um livro capaz de estar em qualquer biblioteca aprimorada desse mundo.

A introspecção presente em cada personagem – analisada cada uma de forma particular, por isso mesmo o aparecimento paulatino delas ao longo da história contada – demonstra que o texto não foi elaborado simplesmente com a finalidade de mostrar os morros e atividades corriqueiras do Quenta-Sol, mas também explicitar a alma desse mundo em constante evolução.

Henriques esteve menos laborativo nesse ano de 2021. Agora, contudo, volta com sua expressiva produção. Junto desse Quenta-Sol está sendo finalizado o romance Buquira. E mais dois ou três volumes de poesia. Ainda assim, esse volume não condiz com a massiva produção anterior do escritor.

Atentos todos estamos ao que virá em seguida. Ao que parece, Henriques pretende chegar ao seu volume de escoamento máximo, como ele mesmo diz, o volume de número 400 de sua produção. Uma afronta seria esse número ao simplismo criativo dos poestastros de gaveta.

Aqui estamos tratando da representação máxima da Literatura Brasileira nesse século. Um dos autores mais representativos da Literatura Universal de todos os tempos. Por isso, nossa atenção ao que vem em seguida. Sempre.

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