Sierra Verde: O instante em que um país começa a ruir

Por Danilo Anello

Sobre o livro

Sierra Verde: O crepúsculo de uma ordem

Um romance histórico de fôlego sobre poder, amor e a lenta decomposição de um mundo.

Ficção histórica séria — para leitores exigentes, que não se satisfazem com o comum.

1959.

Enquanto o mundo observa Cuba, Sierra Verde começa a ceder sob o peso de sua própria história.

O capitão Ramiro Vergara y Urbino vive o paradoxo do dever: serve a um regime que já começou a apodrecer, enquanto ama uma mulher dividida entre a fé, o amor e o mundo que a cerca.

À sua volta, tudo vacila.

Sob a superfície da ordem militar, o cálculo frio das potências estrangeiras, o fervor crescente da revolução e a lenta decomposição do poder ameaçam arrastar consigo não apenas um governo, mas toda uma ordem construída sobre lealdade, disciplina e permanência.

No centro da tempestade, o general-presidente Montoya tenta sustentar as vigas de um país que talvez já tenha atravessado o ponto sem retorno.

E, à medida que a crise se fecha sobre todos eles, cada homem e cada mulher será forçado à mesma escolha:

sustentar o que resta — ou abraçar a destruição em nome de uma promessa.

Nada cai de um dia para o outro.

Mas, quando o colapso se torna visível, quase sempre já é tarde demais.

Do livro

Miguel, notando o desassossego do capitão, empurrou sobre a escrivaninha um maço de Lucky Strike e o seu isqueiro Zippo, banhado a ouro: — Vamos, conta-me o que há, Ramiro. A americana está grávida, afinal? Se estiver, será o diabo…, mas dá-se um jeito. Uma criança é um presente de Deus.

O capitão sobressaltou-se, pressionando os dedos contra a coxa: — Não sei do que estás a falar, Miguel.

— Ah, sabes sim. Foste visto ontem no Hotel Trocadero. Sei que só vais lá para te encontrares com Mrs. Patterson, mulher do terceiro-secretário da embaixada norte-americana — bela, casada e bem mais próxima dos trinta do que dos vinte.

Outro momento do romance

Montoya, satisfeito, observou o mordomo afastar-se com aquele prazer íntimo reservado aos que vencem sem lutar.

Diferente dos políticos ordinários — aos quais jamais confiava autoridade real — sabia que não havia dinheiro público: havia o suor dos cidadãos honestos.

A corrupção, para ele, era um pecado cívico — uma traição à pátria.

Mas não fazia escândalo.

Quando se convencia da culpa de alguém, não havia gritos nem julgamentos. Um automóvel escuro vinha buscá-lo; uma assinatura breve era lavrada — e o sujeito desaparecia.

Redigido em português continental moderno, por coerência estética.

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