Sobre o livro
Sierra Verde: O crepúsculo de uma ordem
Um romance histórico de fôlego sobre poder, amor e a lenta decomposição de um mundo.
Ficção histórica séria — para leitores exigentes, que não se satisfazem com o comum.
1959.
Enquanto o mundo observa Cuba, Sierra Verde começa a ceder sob o peso de sua própria história.
O capitão Ramiro Vergara y Urbino vive o paradoxo do dever: serve a um regime que já começou a apodrecer, enquanto ama uma mulher dividida entre a fé, o amor e o mundo que a cerca.
À sua volta, tudo vacila.
Sob a superfície da ordem militar, o cálculo frio das potências estrangeiras, o fervor crescente da revolução e a lenta decomposição do poder ameaçam arrastar consigo não apenas um governo, mas toda uma ordem construída sobre lealdade, disciplina e permanência.
No centro da tempestade, o general-presidente Montoya tenta sustentar as vigas de um país que talvez já tenha atravessado o ponto sem retorno.
E, à medida que a crise se fecha sobre todos eles, cada homem e cada mulher será forçado à mesma escolha:
sustentar o que resta — ou abraçar a destruição em nome de uma promessa.
Nada cai de um dia para o outro.
Mas, quando o colapso se torna visível, quase sempre já é tarde demais.
Do livro
Miguel, notando o desassossego do capitão, empurrou sobre a escrivaninha um maço de Lucky Strike e o seu isqueiro Zippo, banhado a ouro: — Vamos, conta-me o que há, Ramiro. A americana está grávida, afinal? Se estiver, será o diabo…, mas dá-se um jeito. Uma criança é um presente de Deus.
O capitão sobressaltou-se, pressionando os dedos contra a coxa: — Não sei do que estás a falar, Miguel.
— Ah, sabes sim. Foste visto ontem no Hotel Trocadero. Sei que só vais lá para te encontrares com Mrs. Patterson, mulher do terceiro-secretário da embaixada norte-americana — bela, casada e bem mais próxima dos trinta do que dos vinte.
Outro momento do romance
Montoya, satisfeito, observou o mordomo afastar-se com aquele prazer íntimo reservado aos que vencem sem lutar.
Diferente dos políticos ordinários — aos quais jamais confiava autoridade real — sabia que não havia dinheiro público: havia o suor dos cidadãos honestos.
A corrupção, para ele, era um pecado cívico — uma traição à pátria.
Mas não fazia escândalo.
Quando se convencia da culpa de alguém, não havia gritos nem julgamentos. Um automóvel escuro vinha buscá-lo; uma assinatura breve era lavrada — e o sujeito desaparecia.
Redigido em português continental moderno, por coerência estética.
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