História Filosófica da Culpa: Ensaio para uma compreensão da essência da culpabilidade humana
Por Eli Vagner Francisco RodriguesSobre o livro
Quando, ainda na literatura homérica e hesiódica, a justiça é exaltada como valor supremo e, posteriormente, se torna um conceito ontológico, além de moral e político, sobretudo em Platão, introduz-se na lógica e no cálculo do que seria justo e equilibrado, o problema da compensação em relação ao sofrimento humano.
Nesse horizonte cultural remoto e mesmo em outras tradições, já se insinua a noção de culpabilidade em relação a origem do mal. Os poetas líricos fixaram, também, um outro conceito que aponta para a noção de limite para as ações humanas que aponta para uma ideia de dívida e culpa.
Ao ser humanos (mortal) é determinada uma justa medida de comportamento. Ultrapassar essa medida, a medida que lhe é atribuída pelos deuses, constitui uma Hybris, uma transgressão, passível de punição.
Nesse contexto e, como pressupomos, mesmo antes dele, já se pensava em culpa pelos atos humanos, em justificação das ações e em punição por um agir julgado incorreto por alguma instância normativa metafísica.
Este livro pretende apresentar diversos contextos culturais nos quais a questão da culpabilidade humana foi desenvolvida, seja do ponto de vista mitológico, religioso, teológico, psicológico, filosófico e mesmo histórico, entrecruzando interpretações e autores, instituições e costumes, opiniões e visões de mundo.
Como não se trata de datar uma origem para o surgimento da noção de culpabilidade ou mesmo de localizar o nascimento do sentimento de culpa na história da humanidade, o que seria, do ponto de vista metodológico, de difícil execussão, mas antes, de acompanhar os desdobramentos do desenvolvimento do conceito, da noção ou ideia de culpa e de seus desdobramentos na história da cultura, o texto apresenta análises exegéticas de obras centrais para o estabelecimento da de uma história filosófica da culpa.
Por outro lado, o livro apresenta, em alguns capítulos, um aspecto ensaístico, por exemplo quanto trata da permanência da culpa na cultura contemporânea em modalidades diversas que, se não são remetidas ao problema central da culpabilidade na cultura, passam por problemas distintos e até considerados distantes de qualquer esfera imputativa.
A proposta central diz respeito à uma história de um conceito.
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