Sobre o livro
Nikolai Mikháilovitch Karamzin (1766-1826) foi a figura cultural russa mais destacada na virada do século XVIII para o XIX.
Em meio a uma produção alentada, que inclui poesia, traduções e relatos de viagem, da lavra de Karamzin saíram os dois primeiros best sellers em prosa do país: uma fundamental história da Rússia (História do Estado russo, publicada entre 1818 e 1826) e este “Pobre Liza”, de 1792.
Ambos enraizaram-se profundamente na imaginação russa e foram citados de inúmeras maneiras nas décadas seguintes (Gente pobre, romance de estreia de Dostoiévski, faz referência direta a ele).
Seguindo a praxe do sentimentalismo europeu, os leitores realizaram peregrinações ao mosteiro Símonov, em Moscou, para ver o local onde a protagonista se afoga.
“Pobre Liza” é uma peça-chave na busca dos artistas russos pela adequação de formas europeias e da luta pela obtenção de uma linguagem literária moderna e flexível.
O conto é uma variação das incontáveis narrativas sentimentais que inundavam a Rússia em francês, mas nele já aparecem prefigurados alguns elementos — como o tipo do “homem supérfluo” — que depois ganhariam densidade nas obras de Púchkin, Dostoiévski e outros. (Nota de Bruno Barretto Gomide)
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