Sobre o livro
Esse é um livro que agrega poemas convencionais, a palavra trabalhada ao seu sabor mais condimentado, com a leveza substancial de alguns visuais que foram construídos com recursos pigmentados de computação gráfica.
O trabalho visual exige a ação do desenho e de alguma transformação da fotografia – ou mesmo desse desenho citado -, com a finalidade precípua de determinar a novidade que surge de maneira delicada sobre a página.
O resultado desse trabalho é uma surpresa agradável porque traz a novidade como resenha de uma criação que parece ser ilimitada. A criação de J Humberto Henriques se ultrapassa e se suplanta a cada volume criado.
Nele há a facilidade enorme de trabalhar com temas antigos e fazer dos novos uma exposição substanciosa de estética.
Aparentemente Lark é um título estranho para um livro qualquer, mormente quando se considera que a tradução desse termo, do inglês, é cotovia. A cotovia, aliás, diga-se como emblema de considerações diversas, é termo recorrente na escrita desse escritor.
Quando escreveu o romance A Última Cotovia do Condado, muito provavelmente o poeta e romancista não imaginaria que Lark ocorreria depois e de uma maneira independente. Há uma grande diferença entre os dois livros, bem como uma distância enorme com relação ao tempo de produção dos dois.
Aqui, Lark labora com o poema em palavras sintéticas e ao mesmo tempo conduz a poesia ao ritmo da digressão visual.
Os poemas visuais desse livro são estonteantes, belos, coloridos, podendo mesmo achar mais relação com o canto do que com a cor insólita e efêmera de uma cotovia que atravessa os continentes por aí. Então, as curiosidades são muito amplas em vida de um escritor como esse.
A palavra sofre de um complexo trabalho de escolha e cinzelamento nesse livro de J Humberto Henriques.
Da mesma maneira que os livros anteriores, aqueles que associam o visual com a palavra, da forma que mesmo acontece em Cimitarra e Grilos Urbanos, o poeta traça um caminho de síntese organizada, a tal ponto que nada sobra ou falta na condução dos poemas.
A elaboração sintética atinge seu cume e ápice em cada poema que se lê. De tal sorte que a conquista dessa imagem perfeita, desse impacto de estética, tudo depende da busca reiterada e da continuidade.
José Humberto Henriques é um autor que se agita e se constróis a cada dia mais, sempre em busca da solução integral para a beleza. Diante disso, sempre se atém ao construtivismo da novidade.
É um autor que trabalha dentro e sobre as estruturas integrais de uma geometria estilizada, cheia de pontos de exclamação.
Uma das preocupações do autor seria aquela da impressão que ficaria diante dos leitores de que ele estaria pitando. Não se trata de pintura, como bem afiança J Humberto Henriques. Ele mesmo diz que esse outro trabalho, o da pintura, deixa a cargo de Paulo Miranda e Hélio Siqueira.
Esses sim, merecem de fato o nome de pintores. Ele não, diz em forma de acrescentar algo ao que afirma. Diz que aqui se trata de uns visuais elementares, uns que foram feitos com recurso de computador, nada de tinta física ou qualquer substância que mais seja útil na realização sagrada da pintura.
Se há algo de pictórico? Claro que há, posto que tudo não passe de visão que se acumula com o nome de poesia. Estamos a falar de poesia visual e não de uma exposição que exigiria outros requisitos do poeta.
O tratamento que se deve dar a tais títulos de J Humberto Henriques é esse de Poesia. Não há outra maneira de o escritor ser referenciado por todos aqueles que estão habituados a estabelecer em seu perfil a qualidade de grande poeta.
Ocorre que, por outro lado, quando se expõe um visual com tais características e com tal beleza, é preciso se recorrer ao ramo das conjugações estéticas. De tal sorte que uma coisa e outra não podem mais ser dissociadas.
Os visuais estão presentes nessa obra de maneira definitiva e serão considerados em um futuro bastante próximo como perspectiva de evolução da poesia em um tempo em que os leitores
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