DAGON

Por H.P. Lovecraft

Sobre o livro

“Dagon”, de H. P. Lovecraft, foi escrito em 1917, num período em que o autor ainda buscava uma voz própria, mas só veio a ser publicado em outubro de 1923, na revista Weird Tales, então o principal espaço norte-americano dedicado à ficção estranha, sobrenatural e fantástica.

A revista, fundada em 1923, tinha como projeto justamente acolher narrativas fora do realismo dominante, e Lovecraft encontrou ali um público receptivo ao tipo de horror não gótico e não moralizante que começava a desenvolver.

A publicação de Dagon ocorre num momento em que o autor já havia rompido em grande parte com o horror tradicional do século XIX e começava a formular sua visão de um universo indiferente ao homem, ainda que de modo embrionário. “Dagon” foi a primeira história de H. P.

Lovecraft publicada na Weird Tales. O conto assume a forma de um relato em primeira pessoa, quase uma confissão desesperada, escrito por um narrador psicologicamente instável.

Após um episódio traumático ocorrido no mar, ele se vê diante de uma revelação que ultrapassa qualquer categoria humana de compreensão: a descoberta de vestígios de um culto antiquíssimo ligado a entidades marinhas pré-humanas.

Sem recorrer a explicações diretas ou a uma mitologia plenamente sistematizada, o texto constrói seu efeito de horror a partir da sugestão, da desproporção temporal e da sensação de que aquilo que foi vislumbrado não deveria jamais ter emergido à superfície do mundo humano.

O foco não está na ação, mas no impacto mental e existencial da experiência, que corrói qualquer possibilidade de retorno à normalidade.

Na Weird Tales, Dagon foi recebido de forma discreta, sem causar grande repercussão imediata, mas já sinalizou aos leitores mais atentos que Lovecraft possuía uma abordagem distinta do horror então comum na revista.

Com o tempo, o conto passou a ser reconhecido como uma das pedras inaugurais do chamado “horror cósmico”, sendo frequentemente citado em retrospecto como um dos textos que ajudaram a definir a identidade literária da própria Weird Tales.

A recepção posterior, especialmente a partir da consolidação do “Mito de Cthulhu”, elevou Dagon a um estatuto quase programático, como um manifesto inicial das obsessões centrais do autor. Tradução e ilustração interna baseadas em Weird Tales (vol. 2, no. 3) (October 1923).

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