Sobre o livro
Esse é um livro de poesias que começa a impressionar já nas alturas do título que carrega. Esse jogo entre dama e xadreza, o umbigo e a mulher presente nesse confederado de palavras, essa quadrangular sensação de que uma geometria rotunda atinge as esferas quadradas do sistema dos jogos em causa. E por conta do umbigo, a situação ainda mais rotunda diante de suas damas. O título começa a dar nortes a esse belíssimo volume de poesias.
Traduz esse livro toda a ciência do autor diante do esmerado artifício sobre a palavra. Somente para se ter uma ideia do todo, o prefácio inteiro feito pelo próprio autor. Isso demonstra o seu pensamento quando o livro foi publicado em primeira edição.
Não sendo demais se pensar em demonstrar o espírito do poeta, mostramos aqui as várzeas do prefácio da primeira edição. Ele dá, sozinho e nada fictício, a orientação de como o auto estava dentro da vida e diante de seus argumentos mais sinceros. Esse prefácio é representativo.
Meados de 2001. Toda a Literatura que me envolve, faz de modo como eram os suicídios antigos. Nem mais como evitar, o mundo atravessa por um espaço de garganta, as ampulhetas – que nada mais são que esfinges que tracionam o tempo em favor de uma medida.
Podendo com a mecha das atitudes e ações, haveria o mundo a lição de dar-me corpo em um lugar diferente daquele que, por favores e louvores de existido, agora me cabe.
Uma argamassa de peso diverso do que tenho vivido impulsiona as minhas dimensões para a anarquia comum ao gênero espinhoso dos criadores, aqueles que não são dignos de nenhum dó, mas da piedade de anjos virtuais.
Por criador entenda-se qualquer atribulação de coisa não comum – porém bastante capaz de arcar com a solução da Estética e com a continuidade da elaboração. Todo ritmo de criatura assim toa como a lição de uma equação que não pode fornecer resultado possível.
Os suicídios antigos, invejáveis, ponderados como a solução sem arremedo, sempre lavada de uma honraria de equilíbrio. A coragem que move a desiderata de tais encomendas, mesmo que impróprias para muitos, desafiadora de deuses para outras.
De todas as divindades que traçam rumos em vida de um Criador, a poesia é a mais sincera em ser verdugo. Toma como princípio que nada é importante e que é importante tudo que é nada. Alicia as vontades e deturpa a ocasião daquele e daquilo que lhe é próprio.
Na verdade, a oportunidade de traçar prefácios somente permite-me saber em mim mesmo a independência auferida por uma busca continuada que, de modo em balança, tira-me as forças em outros setores práticos da existência.
Se a hipertrofia aparece na fatalidade do criado, a administração de poderes e de deveres fica relegada ao princípio da desordem, do caos.
O pior poder, seguido de ser o pior dever: trata-se da banda econômica que determina a alienação dentro das divisas e limites do mundo, segundo consta-me, cada arquivo que tenho orientado dentro de minhas horizontalidades de estar. O sido e o que ser.
Como numa reta que não pode dobrar-se, mas avalia a situação de um dia encontrar a paralela que vai dar-lhe âncora quando os horizontes acabarem de ser inventados fora da realidade, ou mesmo do sonho.
Como a verificação quase sonora que nasce de um umbigo, o órgão(?) por excelência marcado para ser a infinitésima parte do encontro das paralelas.
Esse volume de poesia conjuga a necessidade de um lirismo aberto. Porquanto seja lírico, não deixa de trazer o matiz condensado que segrega o auto ao estado de purificação do verso. JH Henriques atua como um dos grandes criadores de poesia de toa a literatura universal.
A cada livro publicado demonstra isso. Como demonstrado no prefácio – que ele mesmo faz -, em verdade está o autor enfiado numa solidão refratária. É como se fosse uma ilhota no meio de um caos silencioso.
Por isso, continua produzindo e enfiado numa sensação de inépcia – caso tão comum entre os criadores, mormente de poesia, de países em estado de catalepsia cultural e mau-gosto estético.
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