Sobre o livro
Reúne esse compêndio mais uma série de contos exemplares de Humberto Henriques, célebre contista do Triângulo Mineiro, estado de Minas Gerais. Esses contos são magníficos. Traduzem todos eles um trabalho de especialidade.
Henriques trabalha com todos os gêneros literários, a poesia, o conto, a novela, o romance, a dramaturgia, a crônica e o ensaio. Navega com liberdade e fascínio por todos esses gêneros. Não se sabe muito ao certo em que área ele melhor se destaca. Mas é certo que seus contos são excepcionais.
Depois da Semana de Arte Moderna de 1922, muitos contistas brasileiros deixaram sua marca registrada nos anais da Literatura, como é mesmo caso de João Guimarães Rosa. Esse é o mais apical de todos os contistas do modernismo ou da era pós-moderna.
Humberto Henriques segue esse mesmo caminho, somente deixando de lado o Modernismo, pelo menos da forma como ele foi proposto com suas liberdades artesanais e seus critérios de menores exclusões por parte da criação em si mesma, sai em busca de seu estilo inconfundível e vai um tanto além de todas as propostas anteriores, aquelas que se sucederam mesmo à última Escola de Arte.
Aqui a Estética faz um rebuliço e se mistura em vários sentidos, tamanha a ampliação da criatividade do contista. Bugigangas Elementares é um livro de contos polimorfo. Sua temática varia muito.
O autor trafega entre muitos assuntos, porém, mantém em evidência a característica muito peculiar de sua prosa.
Aquela característica de sintetizar ao máximo o comportamento de suas personagens para que depois, em um plano de estruturação do conto, possam ser analisadas segundo o argumento de seu comportamento e de sua individualidade.
Mas fica claro, diante desse argumento, que o autor não se imiscui na intimidade do texto.
Esse arranjo de desenvolvimento textual é um sistemático argumento de suas personagens, de tal sorte que elas assumem o comando do enredo todo e são à estrutura do entrecho aquele sabor que torna a escrita uma atrativa função de envolvimento entre o autor e o leitor.
A variedade comportamental de suas personagens, numerosas em demasia, torna o compêndio um verdadeiro elenco de almas que se punem e são punidas ao longo das existências; ou que se enfileiram na senda das glórias e do prazer telúrico.
Somando todas as tendências e retirando um senso comum de tudo que se tem diante dos olhos, a leitura acaba por comover pela sua precisão e espontaneidade. Contos magistrais. A amplitude de alcance desses contos é enorme.
Quando começou a escrever contos, logo após a publicação e O Livro das Águas e de O Úbere da Cidade, Henriques não se imaginava na contingência da prosa. Seu caminho escolhido era aquele proposto pele poesia e para a poesia. A sua proposta era aquela da versificação e nada mais que isso.
Entretanto, esse voto se quebrou logo no início das primeiras publicações. Em seguida, um ano após essa estreia, o poeta publicou o livro de contos Cavaco de Costela. Contos de qualidade erudita, condensados desde o começo de sua inscrição nos anais da Literatura.
Dava para se perceber logo nesse início o ranço profundo na poesia na obra em poesia do autor, a busca reiterada pela construção da frase performática e cheia de tesouros. Era uma espécie de libertação pela qual o poeta passava.
Porque, a se ver a razão e o efeito de tudo, a sorte lançada, Henriques passava a escrever prosa em seus momentos de reflexão entre a poesia e o ensaio que também não demoraria a acontecer.
Essa foi a trajetória mais ligeira que se pode conceber em termos de antologia da escrita em um autor que se sabe arguto em todos os gêneros literários aos quais se propôs até hoje.
Quando publicou, em 1194, Geomorfosintaxe do Riso, um romance fatiado, cheio de nuances novas dentro do esboço estético, Humberto Henriques estaria definitivamente inserido entre os prosadores nacionais. Esse é um romance extenso, o primeiro publicado pelo contista.
O romancista surgia do poeta e do contista, ainda com aquele cravo e cane
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