Águas do Alcantil

Por Lenca Marques

Sobre o livro

O que há de encantador em Águas do Alcantil é a sensação de beatitude transmitida ao leitor. A bem-aventurança brota da leitura que acompanha a luta de Giolian — a guardiã das nascentes — pela preservação de valores que só se afirmam quando homem e natureza se encontram em perfeito estado de comunhão.

A estória, que se assemelha a um conto de encantamento, transcorre em tempo e em espaço alheios à outra lógica que não seja a da ficção e, por isso mesmo, a comunidade em que se passa a ação identifica-se a um lugarejo perdido, paradisíaco, cujo modo de vida é agrário e baseado nas relações de troca.

Tais características, que podem ser identificadas com modos de vida do medievo, recuperam veios românticos tão preciosos em tempos de secura e de devastação como os que vivemos.

A autora, fazendo par aos seus personagens, se coloca na perspectiva da artesã e constrói uma escrita-renda delicada, trançada pelos fios da poesia. Ao sabor das águas que rolam pelas rochas do Alcantil, o leitor flui, atravessando os domínios de uma linguagem prenhe de imagens femininas, relativas ao amor, à família, à gestação, à nutrição e, antes, à floração do desejo e à conseqüente assunção da sexualidade.

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