A escrava que não é Isaura

Por Mário de Andrade

Sobre o livro

Começo por uma história. Quase parábola. Gosto de falar por parábolas como Cristo… Uma diferença essencial que desejo estabelecer desde o princípio: Cristo dizia: “Sou a Verdade.” E tinha razão. Digo sempre: “Sou a minha verdade.” E tenho razão. A Verdade de Cristo é imutável e divina.

A minha é humana, estética e transitória. Eu por mim não estou de acordo com aquele salto para o futuro. Vejo Lineu a rir da linda ignorância do poeta. Também não me convenço de que se deva apagar o antigo. Não há necessidade disso para continuar para frente. Demais: o antigo é de grande utilidade.

Os tolos caem em pasmaceira diante dele e a gente pode continuar seu caminho, livre de tão nojenta companhia.

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