Sobre o livro
E Afrodite nos desvenda um pouco mais de Márcio… Nas próximas páginas, vindo do mais profundo oceano da alma, Márcio Martelli nos traz Afrodite. Versos e mais versos de uma densidade impactante.
Ou Afrodite, a deusa do amor e da paixão dos gregos, faz emergir um Márcio Martelli sutilmente novo, embora não nos estranhe as marcas de suas pegadas na areia do mar donde emergiu Afrodite?
Creio ser esse um conjunto de poesias com surpreendente e abrangente universalidade, extrapolando limites da terra, no sentido da realidade atual e palpável, e da alma. Há inúmeras preciosidades que comovem e incitam à uma profunda e necessária reflexão: “Você chora por quê?
Ela me pergunta Porque estou machucado Cure-se então – ela responde E não sou capaz de entender A lógica dos fatos” (Em meu silêncio seu grito me atordoa)
Márcio, fazendo-nos partilhar de um mergulho profundo, transita por trechos do mais recôndito da alma: “Qual a probabilidade De realmente compreendermos E transformarmo-nos Em outrem?” (Ininterruptamente)
É assim, ao luar, ou sob o brilho de estrelas que Márcio, pelo escuro do céu, vai nos levando por um caminho mais denso, desenhado por uma admirável maturidade do ser e da sua constante evolução espiritual.
Adentrar a esse seu caminho surpreender-nos com o encontro de Budas que, embora em ilustrações, prestam-se a tocar o mais profundo da alma, com o respeito ao sagrado de todas as crenças e, especialmente, ao sagrado que habita cada ser humano.
Atinge-se, assim, um dos atributos desses seres iluminados, transmitir a energia do aperfeiçoamento pessoal.
“Meu tempo é hoje e minha vontade é agora Sou mesmo assim é a sina De quem parece ter chegado fora de hora” (Outro Sol) Como traduzir essa afirmação poética nascida da alma de Márcio? O primeiro impulso é dizer que ele não chegou fora de hora.
No entanto, o silêncio em nós, provindo das imagens dos Budas que encantam os caminhos deste momento do escritor e o amor que vem de Afrodite, permitem a compreensão de que, sim, Márcio chega fora de hora, sempre, para tirar-nos da inércia poética, da inércia criativa, traduzindo-se em um mar revolto a nos obrigar à reflexão, sempre e sempre mais, sobre o tempo que estamos vivendo.
E, depois de uma curva nesse caminho tão denso, surpreende-nos com o compartilhar poético, em momentos de perfeição de sentimentos e emoções, traduzidas em palavras. Um poetar a imprimir novos olhares à realidade e aos sonhos.
E caminha por entre amigos, derrama as lágrimas pelas partidas e alegra-se com seus companheiros de caminhada. Márcio é, assim, generoso. Uma generosidade poética que objetiva atingir a alma da Poesia, como se tocasse uma Afrodite real, palpável, feito os deuses do Olimpo.
“Sou poesia concretizada mas não concreta Nem sou versos decassílabos, sou diverso” (Outro sol) Esse é o poeta que nos apresenta um livro instigante, com textos em poesia tocados pelo irreal e pelo real, a conduzir o leitor às profundezas e belezas da própria alma e à crueza do tempo e da realidade.
“Existem limites que não devem ser ultrapassados” (Limítrofe/Borderline)
Minha sincera admiração a esse caminhar consciente, poético, intenso e real, um passo inovador na trilha da vida de um ser humano especial e amigo querido: Márcio Martelli. Susana Ferretti
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