24 DIAS PARA MORRER

Por H. Lobo

Sobre o livro

Um quarentão desaponta-se com a vida que leva e recebe, pela Morte em ‘pessoa’, a notícia de seu fim; viverá uma hora a menos a cada dia, cumulativamente. Depois de 23 dias, passará pelo último de apenas uma hora.

Na verdade, ele precisa do susto que predispõe o sopro, e do gargalo que antecede o fim, como o gatilho que dispara sua nova trajetória. Morte dá a ele a opção de viver outra identidade. Passa a existir um paradoxo entre a tristeza da vivência do fim e a alegria com a nova identidade.

O deixar-de-existir não é o que mais o angustia, mas, sim, seu afastamento gradual da família, que escolhe como forma de protegê-la.

O segredo, autoimposto, relativo a morrer e pintar só quebra quando conta sua história a um desconhecido e a um amigo de adolescência – por ironia, salva este da morte e daquele recebe um presente que surpreendentemente retrata o que contou.

Apesar da seriedade natural, “24 DIAS PARA MORRER” mostra também momentos divertidos – a maneira com a qual ele é avisado do início das horas ‘mortas’, os garotos que encontra pelo caminho e que o enganam com seu consentimento involuntário, a criação de uma palavra, o roubo de uma bicicleta etc.

Estranhezas, como o fato de sua filha mais velha querer de uma hora para outra um caminho sem ter ideia do que acontece com o pai, e o momento em que ele demove um suicida do fim, estão presentes não só como simples alegorias do que vive, mas também como reafirmações da grandiosidade da mudança.

Fica claro que qualquer evento pode ser um impulso renovador – mesmo o ocaso é capaz de dar ao mundo algo de grande valor.

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