#bodypositive, mas nem tão ”positive” assim: a discursivização do corpo no Instagram
Por Letícia Ribeiro SchinestsckSobre o livro
Um livro que ancora suas análises em gigantes como Foucault, Bourdieu, Le Breton e Courtine para discutir conceitos sobre corpo, violência simbólica, discurso e poder. Debord dá a base da sociedade do espetáculo e Goffman dos atos de ameaça à face.
Tudo isso abre espaço para pensar tais relações sociais no digital. Boyd, Recuero e Lemos são autores-chave para entender a conversação mediada pelo computador (CMC) e como as pessoas se comportam em rede.
São laços estabelecidos em rede e em meio à determinação mútua de papéis sociais que podem ser individuais ou coletivos e que interferem diretamente na representação online do self de cada usuário.
Outro papel é sugerido ao final desta obra: o papel legitimador, que está diretamente ligado ao outro e à visão dele. Então, independentemente da interpretação que se tem do próprio corpo, é preciso do outro para validar – ou não – essa representação que é tão dinâmica quanto efêmera.
Até a hashtag, que aparenta ter uma função objetiva na organização e indexação de ideias, carrega significados que operam em níveis implícitos.
Assim, a #bodypositive é tida como um vetor de agregação social que comporta seus próprios sentidos e que, apesar de estar assentada em princípios de aceitação e positividade, carrega, em si mesma, seu subentendido.
Esse jogo de dominação é implícito, além de ser um dos fatores que garante sua perpetuação, já que somente o que é dito pode ser contradito.
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