Sobre o livro
“Era uma vez…” Era. As histórias infantis foram silenciadas e os seus personagens estão dormindo eternamente num castelo que era encantado. Agora são outros os personagens e não há castelo exatamente.
Agora é ela própria dentro da história narrada, reconstituindo o tempo por meio das suas lembranças mais significativas. No castelo ficaram os jogos da infância e possíveis subterfúgios do decorrer do tempo. E ela ali, recorrendo às suas recordações, captando elementos que construiram a sua história.
Por mais que desejasse, partes permaneceriam perdidas. Tudo tão nostálgico e tudo tão real. Algumas vezes, lembranças repetidas, um novo detalhe, hesitações reflexivas.
Na perspectiva de encontrar emoções engavetadas e obscuras à sua memória, eu prosseguia com novas perguntas, comedidas. Ela esvaziava-se, mas, em alguns instantes, parecia resguardar cantos da memória, e eu guardava alguns desses instantes para outro dia.
“Muito pouco. Me recordo muito pouco da minha infância.”
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