A HIPOCRISIA DAS VITRINES: Uma história de amor e crime na Belle Époque carioca
Por C.J. MAYDANASobre o livro
As vitrines do Rio de Janeiro na Belle Époque de 1910 da Avenida Central mostram a vanguarda do luxo europeu, no entanto… … um deficiente físico se esgueira entre os elegantes para conseguir alguns vinténs… …
um menino negro órfão da Revolta da Vacina corre entre os vanguardistas para evitar o Asilo de Menores… … um caçador de ratos promovido a varredor de rua esconde suas invejas enquanto pedincha pela porta de trás de uma confeitaria chique… …
um negro que não sabe que é livre passa, apressado para servir seus patrões, indiferente as caras de nojo por seus enormes pés descalços…
As vitrines chamam. Prometem, mas não cumprem. São ilusões! Não dão conta dos finisseculares mendigos que ninguém quer ver pelas ruas revitalizadas por Pereira Passos! Não dão conta das finisseculares crianças abandonadas, cujos direitos de infância mal estão a alvorecer… Não dão conta dos negros recém libertos na História, os quais não tiveram uma política de integração…
As vitrines são a fina flor da hipocrisia. As vitrines discutem políticas higienistas. As vitrines almejam esquecer o Império e vivenciar a República de sonhos. As vitrines são o novo cartão postal que se quer para o Rio de Janeiro!
E, nesse jogo de ambivalências e polaridades, o amor luta por uma chance … e o crime encontra uma brecha para acontecer…
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