NA FEITURA DO TEMPO

Por Zenilda Ribeiro da Silva

Sobre o livro

Este é um livro que foi nascendo a cada insigth ou lampejo que chega, em qualquer horário do dia ou da noite, e a gente vai anotando. Essas anotações foram ganhando volume, ganhando corpo e sentido, primeiramente para mim, que ao escrever pude rever a situação na qual me encontrava sob uma nova ótica. Depois, foram ganhando sentido para familiares, amigos e seguidores das redes sociais onde fui compartilhando os textos.

Considero os textos que aqui apresento como rabiscos, pois constituem-se de poemas que foram rabiscados em momentos mais variados possíveis, como ao acordar e contemplar minha filha, que abraçadinha ao meu corpo queria dormir mais e a minha permanência junto dela. Vivenciar e contemplar esse momento me fez pegar o celular e, no meu bloquinho rascunhar o poema “Amanhecer”, por exemplo.

Há também poemas que surgem nas madrugadas, ao perder o sono, ou enquanto preparo o almoço e reflito nas muitas coisas que permeiam a minha cabeça nesse momento de tantos contratempos, mas também de tantos aprendizados. Aprender a sentir mais os momentos, apreciar mais os instantes da vida, tem sido um desses aprendizados que me levaram a escrever poemas como “Bolhas de sabão”, brincadeira que tenho feito com minha filha nas manhãs de domingo.

Mas há também poemas mais carregados de criticidade e de denúncia rabiscados enquanto vejo os telejornais, ou enquanto leio as propostas de trabalho da escola para a Semana da Pátria e me veio o poema “Pátria Amada”.

Poemas que rabisco enquanto saboreio meu café da manhã e a saudade bate à porta e me reporta à infância, na nossa casinha lá no Sítio Riacho de Boi, na minha cidade de Coremas – PB. Essa recordação me fez escrever o “Poema da saudade”.

Assim como o poema “As marcas do tempo”, rascunhado enquanto contemplava uma foto da minha mamãe, com seus dedinhos que já foram tão ágeis na costura, hoje entrevados, tortos, deformados devido à artrose que a castiga faz muito tempo.

Em síntese, caro leitor, Na feitura do tempo, resulta de uma espécie de atitude contemplativa dessa mãe, filha, esposa, dona de casa e professora que, recolhida em seu lar e no interior do seu ser, busca externalizar as leituras que vem fazendo dos diferentes momentos, sejam eles prazerosos ou não; o que importa é dar um outro foco, ver sob outra ótica e, assim, amenizar o estresse desses muitos dias de isolamento social, vendo tanto sofrimento causado por esta pandemia.

Espero poder estar contribuindo, de alguma forma, para a formação de leitores, de apreciadores dos textos poéticos, de literatura produzida por mulheres, de poemas escritos por mulheres, num país como o nosso, onde a publicação de Literatura escrita por mulheres ainda é bem tímida.

Abraços poéticos

Zenilda Ribeiro

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