Sobre o livro
O Rei Sol ainda não nascera. Fora doze horas de sossego. Perdemos a guerra para ganhar a terra.
Eis aqui gravitadas em letras graves, o impetuoso espírito crítico dos jovens literatas gerados pela Angola Nova, na nominal Antologia – Filolitterae na Angola Nova -uma apanha de textos literários, repletos de letras dos literatas, que com o poder imaginativo de suas mentes inteligentes, procuram inscrever-se na Faculdade da História da Universidade da Vida; com o intuito de celebrar ‘grosso modo’, a sobejante alegria de ser um pensador de Jesus, comprometendo-se com a Sua Palavra.
Outrossim, os poetas que labutaram nesta Antologia Renascentista, pretendem expeditamente, através da especificidade poética, caracterizada pela transcendental expressividade da palavra, celebrada na acção combinada de letras poéticas e proféticas, abraçar a humanidade na individualidade, fazer com que a infinitude saúde a finitude, colher alegria, não na confiança de um adulto mas na esperança de uma criança… onde a perfeição abraça a imperfeição e o belo se une ao agradável.
Neste prisma de ideias, onde pernoiteia o nosso pensar, a superfície da palavra resulta em uma cadeia sonora. A matéria verbal se enlaça com a matéria significada por meio de uma série de articulações fónicas que compõem um código novo, a linguagem.
O olho, de per se é mais livre do que os demais sentidos aos quais sempre se atribui maior carga de passividade e sensualidade.
Por outro lado, estes textos literários, são, sem reservas à dúvidas, a mais alta expressão artística de almas latívogas, de rosto estético, porém, com uma função profética, salvaguardando a irónica locução “ridendo castigat mores”, (Voltaire, séc.XVIII) que mesmo com objectivo recreativo, provoca diferentes emoções no leitor e nos eleitores.
Assim, os textos literários nem sempre estão ligados à realidade (no caso da ficção) e muitas vezes são subjectivos, podendo existir diferentes interpretações de leitores distintos.
De facto, mesmo sem fato, a vontade de prazer, o medo à dor, as redes de afecto que se tecem com os fios do desejo vão saturando a imaginação de um pesado lastro que garante a consistência e a persistência do poeta que, em pleno século do aparecer, vem marchando decididamente sob auspícios do “Angola Avante” , numas páginas cristalinas sobre a fantasia consolo único da dor de viver, onde associou o devaneio à idéia do não-finito.
No vazio que se abre além do horizonte de uma visão presente e finita, é possível imaginar a Angola Nova, uma miragem, tão longínqua quanto a nossa própria vergonha de ser transparente. Esta é a forma mais eloquente de ver o mundo pela janela, uma visão menos pessimista que a de Camus.
O mundo não é uma fábrica de realizações de desejos. Disto temos certeza. Mas nestas litterae, os poetas, enquanto cometas, procuraram trazer às claras, a nudez dum povo fardado de tudo e por tudo. Nós acreditamos que lugares firmes criam homens firmes e homens firmes governam o mundo.
Sim, nós acreditamos que às vezes, os que têm poder são os menos generosos, afinal, nós somos somente um grupo tentando sobreviver na Angolamania, onde as tempestades vão e vêm, onde o peixe grande come peixe pequeno.
Se a morte pelo fogo é a mais pura das mortes, a morte pelas letras chega a ser a mais santa das mortes, por isso, a mais desejada!
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