NOS TRILHOS DA MEMÓRIA: A FERROVIA EM ARARANGUÁ: UMA VIAGEM AO PASSADO E UMA VISITA AO PRESENTE DO BAIRRO BARRANCA

Por Alexandre Rocha

Sobre o livro

O livro oferece aos pesquisadores do tema ferroviário brasileiro uma abordagem típica dos impactos no interior do país, das manobras do GESFRA (Grupo Executivo para Substituição de Ferrovias e Ramais Antieconômicos), do governo civil-militar (1964-1985).

No caso específico, a extinção de um pequeno ramal, de uma então pequena ferrovia no sul de Santa Catarina, se comparada à malha existente na época.

Também será surpreendente para os leitores conhecerem outra história do bairro ferroviário, diferente do lugar que conhecem: oculto, parado no tempo, com índices elevados de violência e que sofre com a incidência das enchentes.

Mergulhando fundo na origem dos fatos, com bases documentais e mais de 30 entrevistas com moradores, ex-moradores e usuários da ferrovia, a pesquisa traz à tona uma Barranca até então desconhecida e silenciada, mas que tem muito a dizer como bairro que, por mais de 40 anos, entre as décadas de 1920 e 1960 – período em que possuía o terminal da Ferrovia Dona Thereza Christina -, protagonizava a vida econômica e social de uma região, graças à cadeia econômica em seu entorno, como as indústrias, o comércio, a prestação de serviços, o transporte de passageiros e a logística de transporte de cargas como elo entre os dois estados do Sul.

Após o encerramento das atividades ferroviárias, há mais de 50 anos, a história do bairro mudou e algumas questões precisavam ser respondidas: por que foi desativado o terminal ferroviário e como isto ocorreu? Que fatores implicaram e quais as consequências geradas?

As respostas encontradas ajudam a compreender o atual contexto e a realidade do bairro, espaço de memórias que habitam o imaginário popular, carregando sentidos e sentimentos, saudades e discordâncias, revolta e resignação.

Este vazio deixado pela partida definitiva do trem é, muitas vezes, sobreposto pelo drama das enchentes cíclicas que desafiam, mas aglutinam o convívio, a cumplicidade e as relações de afeto social.

O tempo passa e novos elementos vão preenchendo a vida comunitária, em meio a histórias, recordações e também humor.

São divertidos relatos sobre causos, travessias pela balsa, a pesca abundante no rio ao lado, as diversões todas, como as festinhas e bailes, o futebol e o boteco, e tantos outros aspectos da vida que ajudam a reconstituir uma história que não quer ser apagada.

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