A Dança das Aranhas Equilibristas

Por José Humberto da Silva Henriques

Sobre o livro

Nesse compêndio exemplar e memorável estão reunidos contos maravilhosos, à moda dos primeiros contos de Humberto Henriques, quando ele demonstrava toda a ousadia da criação riquíssima em figuras de estilo soberbas e acabando por atingir a sofreguidão dos neologismos.

No tempo da criação desse livro, o contista estava metido na mais intensa pecha da criação literária, quando o autor acaba sendo consumido pela aura da Literatura e dela faz seu par e razão de viver.

Sendo assim, a dedicação integral de um escritor que primava pela concepção e pela ousadia do fato em si. Escrever e escrever. Porém, trazer nesse cesto de produção a qualidade enorme de uma obra pura e perfeita.

A preocupação de Humberto Henriques sempre foi esta, não a de produzir em alta quantidade, mas aquela de manter o estilo e dar respostas de altíssima qualidade. Por isso, as alternativas de alguns leitores que creem que sua Literatura seja hermética. Fato que não é real.

Apenas o autor se mantém dentro de uma exigência que lhe é própria e a peculiaridade dessa obra se faz pela real aquisição de um mundo novo na história dos contos.

O autor permite que suas personagens se movam em direção ao meio e fim de cada trama, o entrecho é preenchido de acordo com a situação social e econômica de cada criatura criada e recriada.

Sendo dessa forma, o pensamento externo não atinge o movimento de todos que estão envolvidos na evolução da prosa que está em curso. Esses contos são a excelência em si mesma.

O conto brasileiro teve representantes memoráveis a partir da Semana de arte Moderna. Pode ser que o ápice desse gênero tenha sido alcançado com a obra de Guimarães Rosa, com Buriti Grande. Buriti Grande é uma obra-prima, uma obra-master.

Colhido muito cedo pelo desaparecimento, quiçá muito prematuro, Rosa não levou avante o seu projeto de escrita. Cremos que teria produzido muito mais se acaso houvesse tempo hábil para isso. Mesmo Magma, que foi seu livro de poesia, único feito pelas suas mãos, ficou inabilitado para publicação.

Conforme esse fosse mesmo o seu desejo que foi contrariado, Magma foi publicado. Mas isso nunca foi pecado, cremos nisso também, porque um escritor como João Guimarães Rosa precisa ser conhecido em todos os seus meandros.

Aqui, conforme sempre foi premeditado pelo pensamento de alguns críticos, a razão temporal das coisas se inverte um bocado porque esse outro contista, Henriques, leva avante o empreendimento de dar ao conto as novas facções de sua estética. E o faz com o devido primor.

Entretanto, não obstante todos os entalhes e detalhes que se hospedam na imaginação de toda a Literatura comparada, quando e menciona Guimarães Rosa, logo em seguida surge a figura de Mário Palmério e em seguida a de Humberto Henriques.

A análise da projeção dessas três obras em um mapa comum, a geografia de todos os elementos mostrada da forma real como ela é, demonstra que há uma inter-relação entre os três escritores que acaba por performar um rio de similaridade enorme.

Apesar de Mário Palmério jamais ter escrito contos, ficou apenas com o Chapadão do Bugre e Vila dos Confins, dois romances magníficos, a sua obra guarda esta relação com os doutros dois, a forma de conduzir a ação e a condição permanente que situa esse noroeste de Minas Gerais na condição de teatro comum aos três romancistas.

Esse nível de comparação é necessário ao se expor a obra de Henriques, o todo que aqui pode ser rememorado inclui fundamentalmente esse espectro de particularidades e paralelos. Dos três, Rosa ficou nos contos, romances e um livro de poesia. Seu esplendor ficou por conta de Grande Sertão: Veredas.

Palmério, apenas com os dois romances. Humberto Henriques, todavia, foi mais ousado e cumpriu sua parte nos contos, romances, novelas, poesias, ensaios, dramaturgia e crônicas. Isso não significa superioridade, mas somente ação que compete ao criador.

Do ponto de vista geográfico, simplesmente a banda demarcadora de um raio de ação, Palmério entra pelo Noroeste de

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