Almagesto

Por Gerson Noronha Mota

Sobre o livro

O título do livro de Gerson Mota, Almagesto, é erudito, poético, intrigante. Almagesto é um tratado matemático e astronômico medieval, escrito no século II, por Cláudio Ptolomeu.

Gerson começa parodiando seu mestre máximo, o poeta Carlos Drummond de Andrade, com o dístico: “Mundo mundo gasto mundo/ mais gasto é meu coração.” A passagem de “vasto mundo” do ditado popular proposto por Drummond para “gasto mundo/ gasto coração” de Gerson torna os versos ainda mais melancólicos, pungentes.

Dói essa transposição. E arte sempre é dor. Logo em seguida, em “Plágio Prévio”, Gerson, ironicamente, se dirige ao “Senhor crítico”, explicando que “plagiou” Borges e Drummond e que discorda “sobre quem plagiou quem”.

O poema “O Caso de Luísa Porto”, colado ao poema “Desaparecimento de Luísa Porto”, de Drummond, é também narrativo, uma história, um quase conto, uma notícia de jornal, uma possibilidade cinematográfica, unindo mistério e uma dose de surrealismo presente em todos os sumiços.

O fato é que a Luísa Porto de Gerson foi vista nas ruas 13 de maio ou na 14 de julho desta cidade pantaneira. Gerson, como todo poeta, questiona: “O que é a poesia?” “Instantâneos de paisagens internas?” “Vento sutil?” “Canção fenícia?” “Chamamento?” O poeta é agente infiltrado?

Poesia alimenta como pão? São dúvidas de um poeta que queria ser rico de sua humana e fraterna poesia, enquanto arrasta seus poemas para as chamas da fogueira; Fausto que vende sua alma sem crer em prêmios ou cas- tigos eternos.

Poeta que busca orientar-se num mundo caótico por astrolábios antigos, galáxias de estrelas conhecidas e pelo tratado influente do Almagesto.

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