O bilhete premiado

Por Ramiro Alves

Sobre o livro

O que você faria se tivesse a oportunidade de furtar um bilhete de loteria no valor de R$ 68.000.000,00?

Ainda mais se você tivesse sido a pessoa a fazer esse jogo?

Delmira, de origem nordestina, mulher honesta e trabalhadeira, era cuidadora de um idoso de 75 anos de idade e, nos finais de semana, para engordar o orçamento familiar, sacrificado devido aos 6 filhos que tinha com Severino, trabalhador, mas alcoólatra contumaz, fazia faxina geral nos bairros próximos.

Nascida em berço miserável, nunca tivera a chance de juntar um dinheirinho para ter uma casa decente, roupas em profusão e lazer. Trabalhava desde os seis anos de idade.

No nordeste, capinava a lavoura, de onde chegou a bordo de um pau-de-arara. Aqui sempre trabalhara de doméstica, pois não conseguira estudar para melhorar seu nível escolar e nível de vida.

Apesar de todos esses dissabores, embora estivesse próximo dos 37 anos, ainda, quando bem arrumadinha, tinha seus atrativos. A vida não lhe tinha sorrido, todavia ela não era frustrada e revoltada contra o mundo.

Seu patrão era bom, calmo, educado e, de vez em quando, dava-lhe dinheiro para comprar frutos para os filhos, sendo motivo de alegria no seu simplório lar.

O idoso, aposentado, tinha como passatempo as salas de bate-papo e acesso às redes sociais, utilizando-se de um notebook presenteado por sua filha. Mais para ter do que reclamar, do que propriamente para ganhar, ele jogava, a aposta mínima, em todos os concursos da Mega Sena.

Seus acertos eram tão poucos que ele, após a conferência, ralhava, amassava o bilhete e atirava-o ao lixo.

Mas, um dia, com a página do notebook aberta com o resultado do jogo, saiu momentaneamente para atender ao telefonema de sua filha.

Delmira, que não costumava apostar, nesse dia, incentivada pelo prêmio acumulado de mais de R$ 68.000.000,00, decidiu que valia a pena arriscar um joguinho de seis dezenas, já que seu patrão, por intermédio dela, estava fazendo o mesmo. Dois bilhetes, duas apostas feitas pelo sistema…

Ao confrontar os bilhetes com o resultado, um deles premiado, seis dezenas “na cabeça”, o outro nada – o dela!

O que fazer?

Trocar os bilhetes e deixar o premiado para o patrão?

Ela os trocou.

Aí começaram os acontecimentos inusitados nas vidas dessas três pessoas.

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