Sobre o livro
O amor é o mais antigo, o mais nobre e o mais poderoso dos deuses, e o principal autor e inspirador da virtude, nesta vida, e da felicidade, depois da morte. Platão
Na Índia, um soldado inglês que parecia ser um ébrio “que, ou aquele que se embriaga habitualmente” incorrigível, já tinha sido castigado várias vezes pelo oficial superior. “Aqui o temos outra vez” – disse esse oficial num dia em que o soldado mais uma vez era acompanhado por um sargento.
– “Este é um caso irremediável, porque não há maneira de curar este homem que não se importa de chicotadas, nem de reclusão.” “Dá-me licença, meu comandante?” – diz o sargento.
– “Há uma coisa que talvez ainda não se experimentasse.” “Então qual é essa coisa?” “O meu comandante já alguma vez lhe perdoou?” “Perdoar-lhe?” – exclamou o oficial admirado, que perguntou, voltando-se para o culpado: – “Tens alguma coisa a dizer sobre esta acusação?” “Nada tenho a dizer” – disse o soldado – “só me admiro de me ter embriagado outra vez.” “Bem – continuou o oficial – decerto já fizemos tudo quanto era possível para tu ganhares juízo; mas agora vamos, a pedido do sargento, experimentar outra coisa: vamos te perdoar.” Algumas lágrimas rebentaram dos olhos do soldado, como se fosse uma criança; e, agradecendo ao oficial, retirou-se, ele que parecia vítima incorrigível da bebida.
Mas não; a bondade do seu coronel lhe chegara ao coração, e por isso, resolveu nunca mais beber. O capitão do regimento que contou esta história, afirmava que esse homem se fez um soldado modelo, e nunca mais sofreu castigo, por se ter embriagado.
O milagre feito, neste soldado ébrio, pelo amor, demonstra que o tempo dos milagres ainda não acabou, nem acaba, enquanto o amor durar, porque o amor se ocupa constantemente em fazer milagres em todas as espécies de pessoas.
O amor é a maior força da vida; é infinitamente mais poderoso que a paixão pelo jogo, pela luxúria, pela avareza ou pela riqueza. Neutraliza as paixões e os instintos mais vis e desperta o que há de divino no homem; é o fermento divino que eleva e enobrece a natureza humana.
Quem não se tem certificado do poder mágico que o amor possui, para transformar um homem brutal e dissoluto num marido atencioso e dedicado?
Orison viu mulheres de coração tão grande e tão dedicado e de gestos tão encantadores que os homens mais indignos, os caracteres mais abjetos “desprezíveis; baixos,” se sentem impelidos a fazer tudo por elas, até dar a vida para as proteger.
Tais homens teriam sido refratários “resistentes a certas influências; inalteráveis” a qualquer outro poder que não fosse o amor. Sydney Smith, disse: “Amar e ser amado é a maior felicidade da vida.” Todos suspiram pelo amor, quer sejam pobres ou ricos, quer sejam muito ou pouco ilustrados.
De que não seria capaz um homem que desejasse conseguir o amor de uma mulher que encarna, para si, o ideal de uma boa esposa, ou que possui todas as belas qualidades que nele não existem?!
Na realidade, este amor é um suspiro divino, um desejo de possuir o que há de fazer de si um homem digno deste nome, e substituir o ser incompleto que é. Como se compreende que um homem brutal, perdido por excessos, transforme imediatamente a sua maneira de viver, quando se apaixona por uma donzela?
Renuncia aos vícios, aperfeiçoa a linguagem, rompe com as más companhias e parece se tornar, pelo menos por algum tempo, num novo homem. E isto se dá, muito simplesmente, porque o amor é, para o homem, um móbil “causa” mais poderoso que a vida de dissipação.
O homem renuncia facilmente à sua vida antiga; e, se o amor é verdadeiro e sólido, nunca mais se deixará levar pelas antigas tentações. O amor descobre sempre o ser divino que há em nós, porque se nega a ver em nós outra coisa.
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