Um Sonho de Paz

Por Anatole Jelihovschi

Sobre o livro

Qual o preço da paz? Escritor na meia idade, sem maiores sucessos, deixa a cidade grande e se muda para uma pequena cidade na serra, em que espera encontrar a serenidade que nunca usufruiu na vida tumultuada da metrópole.

Para tal e, principalmente, ele começa um diário, no qual vai depositando as observações do dia a dia, através das quais espera descobrir um sentido de uma vida num processo de esvaziamento engolida pelo caos da cidade grande.

Instalando-se numa pequena casa isolada, cercada de árvores e montanhas, ele inicia uma vida pacata, que compartilha com os pássaros, aranhas, cachorros e todos os animais que encontra nos caminhos que trilha todos os dias. (Os pássaros não falam?

Talvez para as pessoas tradicionais, não para um escritor que não tem dificuldade em conversar com as maritacas, os sabiás, as corujas, e registrar todas as suas conversas no diário. E, é claro, também convive com os humanos das vizinhanças.

Entre estes últimos encontra-se o candidato para prefeito da cidade, que solicita a sua ajuda na campanha eleitoral.

Trata-se de um tipo rude, inescrupuloso, esperto, mas ele não pode esquivar-se a ajudá-lo, principalmente numa campanha publicitária para a qual o candidato se mostra completamente incapacitado. Ao mesmo tempo, ele conhece uma mulher que lhe atrai a atenção.

Trata-se de uma jovem numa cadeira de rodas, atraente, filha de um importante senador, que costuma passar temporadas nesta cidade, numa busca de um propósito semelhante ao escritor.

O propósito comum aproxima os dois, e através da proximidade ele conhece a vida tumultuada dela, da qual procura fugir, vida esta responsável por encontrar-se ela numa cadeira de rodas.

Com o prolongar da convivência ela sugere que eles se casem, ele não concorda alegando as diferenças insuperáveis, o que provoca a separação, e ela vai embora.

O candidato a prefeito consegue eleger-se graças a artifícios sugeridos pelo escritor que não faz mais do que ele vê os políticos da cidade grande fazerem, e o prefeito eleito faz uma festa para comemorar, convidando o escritor.

A festa também tem o objetivo de distribuir os livros do seu último livro publicado que, inesperadamente, está se tornando um sucesso. Na festa ele conhece a irmã gêmea da sua amiga paraplégica. Ela o procura para conversar sobre a irmã, que falara muito nele.

Nas conversas entre os dois, ela revela a vida muito próxima das duas gêmeas, íntimas uma da outra, uma preocupação intensa com o bem estar da outra.

Mas, por outro lado, um lado sombrio e até violento, que ela procura ocultar, vai se desvendando aos poucos e criando a atmosfera de conflito e de desespero que cerca a vida das gêmeas e que ele tem a ideia de registrar num novo romance que idealiza e que se chamará “As duas Irmãs”.

Os conflitos se amontoam até a descoberta final que ele faz e que joga por terra todas as ideias que ele tinha feito a respeito de uma vida idílica naquele local.

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