Iepé Tucumã

Por José Humberto da Silva Henriques

Sobre o livro

Livro de poemas cuja identidade é proposta como uma navegação feita sobre um mar de novidades. Esse título remonta aos tempos de Humberto Henriques e suas viagens ao longo do Norte de Goiás e do estado do Tocantins.

Tempo em que que teve lá os seus contatos com o povo Xerente, índios da margem direita do rio Tocantins. Iepé em nheengatu quer dizer semente.

E tarumã é a fruta do mato, a preferido das aves maiores, como o jacu e os mutuns, embora a passarada de espírito tropical seja muito predestinada a se nutrir e se refestelar com ela.

Então, e escolha esse título, a se pensar bem, tem muita coisa a ver com a formação do escritor, seu modo de encarar a realidade que um dia alicerçou a sua formação e sua escrita. Porém, estamos a falar de poesia e isso não basta como argumento ou como defesa de qualquer tipo de análise.

O fato primordial aqui, o selo de autenticidade dessa obra, parte do princípio da grande qualidade desses poemas. São construções imagéticas a partir de recursos simples de computação gráfica.

Aliás, o programa usado não existe mais nos micros de última geração, o que congrega uma problemática enorme no mento de se promover a reprodução desse tipo de texto.

Não obstante estas dificuldades, são poemas belíssimos, mais estribados na construção pictórica do que mesmo na produção do texto com frases e palavras.

O livro une os visuais com uma poesia madura, de fertilidade incontestável. O impacto visual desses poemas é alguma coisa bastante abrangente para ser contestada. Na verdade, estamos diante de uma criação soberba, maiúscula. Trata-se de um experimentalismo vigoroso, fascinante.

Quando publicou seus primeiros livros de Poesia, O Livro das Águas e o Úbere da Cidade, ainda em fins do século passado, ninguém jamais imaginaria e nem mesmo o autor, que sua poesia fosse desaguar nessa vertente experimental e luxuosa.

Esses dois primeiros compêndios, livros de alto valor estético, foram produzidos ainda com o uso de uma máquina de escrever do tipo Olivetti Lettera. Era uma maquineta, conta Henriques. Desgastou os tipos, de tal sorte que o P não tinha a perna e outras letras não tinham braços e asas.

Isso aconteceu por conta do uso sempre exagerado que o escritor fazia de sua traquitana. Hoje, em dias modernos, podemos dizer essa palavra: traquitana.

De tal sorte que, embora fosse traquitana, era uma máquina cobiçada em demasia. Não era qualquer um que dispunha de uma dessas. Por isso, a alegria do autor ao dizer que tanto escrevia numa Olivetti quanto numa Remington. Era luxo demais.

De dentro dessas maquinetas e ao longo delas, as tais traquitanas, nasceram livros maravilhosos. Geomorfosintaxe do Riso e Cavaco de Costela são exemplos notáveis, os dois primeiros livros em prosa que Henriques produziu.

Então, com o advento dos microcomputadores e seus acessórios mais imediatos, a Literatura desse escritor ilimitado acabou por atingir o cume da produtividade. Escreveu e publicou mais de 360 livros, conforme pode ser conferido nas grandes e elencos da amazon.com/kindle.

Entretanto, apesar desse volume de alta qualidade, o romancista e poeta continua a lançar aos ares o ritmo continuado de sua produção. E parece que isso não vai se esgotar assim tão cedo.

Henriques continua com uma produção anual de mais de vinte livros, fato que o deixa, inegavelmente, entre os escritores mais prolixos do planeta. E o computador, com todas as suas novidades e programas, aplicativos e imaginação, continua exigindo do autor a sua parte.

Essa associação acaba por ser benéfica a ambos. E a Poesia ressurge do quase/nada.

Humberto Henriques traz nesse livro uma série de harmonias que ajuntam o pictórico – a imagem pronta e doce -, com a bátega da palavra cantada sob a forma de um verso enxuto, seco, alicerçado no bom gosto e na interpretação – que à moda desse autor – não admite concessões e facilidades. Sendo assim, vale a pena conhecer o tamanho e a vastidão desse empreendimento poético.

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