A Sombra

Por Thiarles Soares

Sobre o livro

Bruno Porto enfrenta um dilema: lidar com a própria Sombra. Ela fá-lo-á seguir por caminhos longos e tenebrosos.

Este livro fala de amor, obcessão, medo, angústia, uma vida destroçada em mil pedaços, mas tudo feito pela esperança vã de um amanhã: Contemplai alguns trechos:

“…Agarrava-me no saiote de minha mãe, como que dizendo “proteja-me”, ou no pescoço de meu pai, como que confiante a dizer “estou seguro em minha torre”.

O medo daquela presença ia e voltava.

Mas fui crescendo, e o cuidado dos meus pais foi se arrefecendo, indo daquele invólucro de amor e cuidados que os pais dão para suas crianças, até se tornar algo como cutucões e puxões de orelhas para que se seja alguém na vida e não um vagabundo a depender deles.”

“— Uma coisa eu digo, meu filho, tu tens muita inteligência para inventar todas estas coisas. Como pode ser assim? Como poderás trabalhar e conseguir uma vida melhor se continuar com estas infantilidades? Pois que pares já de criar tais estórias; dedica-te em ser um bom aluno, um bom rapazinho, pois te quero bem, fazendo uma faculdade, para mostrar a todos que não és louco e nem idiota, mas um capaz.

Convenci-me disto, e assim busquei por anos. Decididamente, toda vez que aparecia para mim o vulto da Sombra, renegava diálogo com ela, e dizia para mim mesmo, é minha imaginação, é minha imaginação.

“Ainda precisarás de mim, Bruno, por me desprezares com tal obsessão, pagarás. Adeus!”

“Mas uma esperança se mantinha, era aquela presença, o vulto que vez por outra me assistia, e transparecia a me imbuir de esperança, ou que eu me chegasse a ele um dia ou menos dia. Sabia, que ele estava lá para me ajudar; roçando o frêmito d’alma imberbe, era a presença divina por perto.”

E a Sombra sorria meigamente, dizendo-me:

“Acabaste de me pedir ajuda, e agora me rejeitas como o Filho Pródigo? Como um filho abençoado e rebelde, que não busca a razão, mas o próprio prazer, assim me tratas. Não temes que eu seja um anjo de Deus para te auxiliar? Acabaste de invocar a luz, mas não sabes recebê-la bem, e a desprezas, dizendo blasfêmias como estas… Bruno, Bruno, Bruno, tu és um homem de pouca fé, já o disse.”

Boa leitura!

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