QUANDO O CORAÇÃO ESCOLHE

Por AMÉRICO SIMÕES

Sobre o livro

QUANDO O CORAÇÃO ESCOLHE Sofia mal pôde acreditar quando apresentou Saulo, seu namorado, à sua família e eles lhe deram as costas. – Você deveria ter-lhes dito que eu era negro – observou Saulo. – Imagine se meu pai é racista!

Vive cumprimentando todos os negros da região, até os abraça, beija seus filhos… – Por campanha política, minha irmã – observou o irmão. Em nome do amor que Sofia sentia por Saulo, ela foi capaz de jogar para o alto todo o conforto e status que tinha em família para se casar com ele.

Ettore, seu irmão, decide ser padre para esconder de todos sua homossexualidade e poupar seu pai, um político em ascensão, de um escândalo. A seguir, um trecho da obra: Chegando às margens do rio, Caio estacionou a moto e os dois caminharam por entre as árvores, contando amenidades.

Ettore ria das observações que Caio fazia a respeito das pessoas e das situações do cotidiano. Para ele, as observações do rapaz eram sempre muito engraçadas e pertinentes. Depois de darem uma volta, retornaram à margem do rio e sentaram-se ali.

Caio voltou-se para o amigo e disse seriamente: – Quero falar com você. Aliás, querer não é bem o termo. Preciso. Eu o amo. – Você está louco! – Louco, por que? – defendeu-se Caio, a toda voz. – Porque amo você? – Dois homens não se amam, Caio!

– Nós somos “homens” entre aspas, Ettore, e você sabe disso! Caio arrependeu-se do que falou no mesmo instante. Teve receio de que suas palavras ofendessem o amigo, o que de fato aconteceu. Ettore começou a chorar e correu para a margem do lago. Caio levantou-se e correu atrás do amigo.

– Eu tenho ódio de você – berrou Ettore, ao perceber sua aproximação. – Odeio você quando diz essas besteiras. – Você sabe que não são besteiras, Ettore. O que nós sentimos um pelo outro é real. É amor. – Tudo o que sei é que dois homens não podem sentir o que sentimos.

– Eu não pedi para sentir o que sinto por você, Ettore! Aconteceu. Simplesmente aconteceu! Não sei quem governa o amor, mas seja quem for, não vê sexo, nem cor, nem classe social, nem religião…

Se fosse uma questão de escolha pode ter certeza de que eu não escolheria amá-lo como o amo, mas é coisa do coração. E quando o coração escolhe… – Eu vou me afastar de você, Caio, deixar de ser seu amigo se você não parar com esse papo, com essa ideia fixa, estapafúrdia e imoral.

– Se você se afastar de mim, estará se afastando de você também, Ettore. E você sabe disso. Você também me ama da mesma forma que eu o amo, eu sei, eu sinto. E saiba que eu não vou desistir tão fácil do nosso amor. – Leve-me embora daqui, Caio, agora, por favor.

Caio achou por bem atender ao pedido do amigo. Mas a vida dá voltas e nestas voltas a família Guiarone aprende que amor não tem cor, nem raça, nem idade, e que toda forma de amor deve ser vivida plenamente. E essa é a maior lição para a evolução espiritual de todos.

QUANDO O CORAÇÃO ESCOLHE fala da lei da semeadura. Plantou o bem, colherá o bem. Se plantar o mal não terá como colher coisas boas. Aborda também os danos nocivos do preconceito, racismo e intolerância para com o outro e consigo mesmo.

Além de mostrar claramente o poder do mundo espiritual com relação ajudar os encarnados. Uma história profunda e verdadeira, tocante do começo ao fim.

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