Sobre o livro
A doutrina (e a realidade) da união do crente com Cristo é de grande importância para nossa fé e nossa vida. A negligência dela traz (e tem trazido) inúmeras deficiências tanto na doutrina, quanto na prática de inúmeros crentes. Falar sobre ela, nunca é demais.
E, depois de meditar bastante, ainda não é suficiente, deve-se meditar um pouco mais. É difícil encontrar uma epístola em que Paulo não trate dessa união.
Comumente, ele o faz, seguindo a ordem: primeiro, apresentar o que somos em Cristo (ou com Cristo) — expressões idiomáticas que denotam essa realidade e doutrina; o que Ele fez por nós e o que devemos crer. Aqui, os verbos estão comumente no indicativo, indicando um fato, uma realidade.
Para, então, em seguida, nos mostrar o que devemos fazer a partir desse fato. Esse é o verdadeiro poder para a santificação e uma vida cristã pulsante: a união com Cristo. Cristo é a fonte.
Essa é a doutrina/fato que permeia as metáforas mais conhecidas do Novo Testamento. Jesus expressa essa realidade ao nos dizer que Ele é a videira e nós os ramos e que, sem Ele, nada poderemos fazer (João 15.1-7).
Paulo também expressa esse fato ao nos dizer que Ele é o cabeça e nós o corpo (Efésios 1.22; 4.15; 5.23; Colossenses 1.18; 2.19; 1 Coríntios 12.12-27); Ele é o marido e nós a esposa (Efésios 5.22ss); que nós estamos arraigados nEle (Efésios 3.17; Colossenses 2.7).
Pedro nos dizendo que Ele é a pedra e nós somos o edifício construído sobre a pedra, pressupõe essa doutrina.
É da união do crente com Cristo que flui todas as graças. E é por essa união, operada pelo Espírito, que o Espírito nos comunica tudo o que Cristo adquiriu para nós.
Por isso, Paulo disse: “Mas vós sois dEle, em Jesus Cristo, o qual para nós foi feito por Deus sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção; para que, como está escrito: Aquele que se gloria glorie-se no Senhor” (1 Coríntios 1.30-31), para que entendêssemos que não há como ter nenhum dos benefícios que Cristo adquiriu (aqui, resumidos nessas palavras, justiça, santificação e redenção) sem estarmos em Cristo.
Por isso, quando Paulo nos fala da obra da Trindade, ao irromper em doxologia no início da Epístola aos Efésios (Efésios 1.3-14), ele apresenta cada obra das Pessoas da Trindade sendo operadas sempre em união com Cristo: em Cristo, Deus Pai nos elegeu; em Cristo, temos a redenção do Filho; em Cristo, somos selados pelo Espírito.
Compreender e experimentar conscientemente esta união é fundamental para uma vida cristã cheia de vida.
Não sei o quanto eu posso enfatizar a importância dessa doutrina e a meditação dessa realidade para a sua fé e sua vida. Por isso, eu lhe recomendo este breve sermão do puritano Thomas Watson.
Sua magnífica, e já conhecida, capacidade de tratar todas as doutrinas bíblicas com vívidas cores, por suas ilustrações ou por sua linguagem imagética, tornam ainda mais deleitosa essa meditação — ou, melhor dizendo, lhe dá a tratativa apropriada, digna dessa extasiante realidade.
Oro para que esse sermão lhe seja um auxílio, a fim de lhe maravilhar, encantar e contemplar ainda mais a beleza do seu marido, Cristo, com o qual você está unido. E, caso você ainda não esteja unido a Ele, que esse sermão lhe encoraje a se entregar a tal união. Venha, una-se a Ele! Não há marido melhor; não há melhor união do que essa.
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