As Aventuras Amorosas de um Jovem Poeta

Por Evan do Carmo

Sobre o livro

Não se nasce escritor — se sangra escritor. Há quem escreva por ofício, por estudo, por cálculo. E há quem escreva porque, se não o fizer, explode por dentro. Este livro nasceu desse segundo tipo de urgência. Não como um projeto, mas como um resgate.

Porque há vidas que se apagam na poeira dos dias comuns, e há vidas que reluzem, que ardem, que quebram as paredes do silêncio. E, quando ardem, deixam marcas em quem as vive e em quem as escuta. Minha juventude não foi comum. Talvez tenha sido errada, precipitada, perigosa — mas nunca foi morna.

Aos catorze, já sabia do peso e da doçura do corpo de uma mulher. Aos dezessete, contei doze namoradas, não por vaidade, mas por alguma força estranha que a música me deu. Não tocava bem — mas tocava.

E às vezes é mais perigoso um violão torto nas mãos de um jovem apaixonado do que uma arma nas mãos de um homem feito. Este livro não é confissão. Não é arrependimento. É memória. E memória, quando vira palavra, deixa de ser passado — vira fábula.

Cada conto aqui não é só uma história de amor, ou de desejo, ou de perda. É uma fresta de um tempo que não volta. Um tempo onde eu era pedreiro de dia e poeta à noite. Onde eu dormia em rede dentro de obra, e sonhava com rostos de meninas que me visitavam na escuridão.

Onde a pobreza era absoluta, mas a beleza do mundo também era. Houve quem me amasse a ponto de romper noivados, de fugir de casa, de me entregar tudo. E houve quem me quisesse morto, por amor ou por traição. Em Juazeiro, na Bahia, minha juventude foi feita com cal, suor, sêmen e melodia.

Uma mistura perigosa, que hoje entendo ser literatura. Aos dezoito, já tinha filhos, dívidas emocionais e cicatrizes fundas. Mas também já tinha vivido mais do que muita gente com cinquenta. Este livro não foi escrito para julgar nem para ensinar.

Foi escrito porque a vida me incendiou cedo, e agora que os ventos sopram mais lentos, eu preciso deixar escrito o que ardeu. Leitor, não espere aqui moral. Espere carne, voz, música, silêncio, fuga e verdade. Tudo o que vivi — mesmo o que não entendi — está aqui.

Talvez você encontre um pouco de si nestas páginas. Ou talvez encontre apenas um estranho que ousou viver fora da linha. Mas, se puder, leia com o coração aberto e os ouvidos atentos. Porque algumas destas histórias ainda tocam, como antigos acordes de uma canção que se recusou a morrer. — O autor

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