Deus para os dias de hoje: um ensaio para a religiosidade contemporânea

Por Daniel Felipe Alves

Sobre o livro

Trechos da obra:

Seja como for, um Deus para hoje deve ser um Deus que não permita dizer que há eleitos em detrimento de outros, os não eleitos. Nossa concepção de Deus deve desfazer-se dessa pretensão à verdade absoluta que exclui o próximo, o outro que crê de modo diferente. Nossa concepção de Deus deve incluir a todos numa grande comunidade humana.

Acreditar em “inferno”, num grupo específico de salvos, estar pronto a condenar pessoas de outras religiões com discursos ásperos de reprovação moral, aceitar a si mesmo como pertencente do grupo da verdade, dos eleitos, dividir o mundo em religião verdadeira e religião falsa, com tudo o que isso implica, são coisas que causam enfado e repulsa à mente contemporânea.

Na concepção de Deus para hoje, Deus é Deus da Humanidade, porque é o Absoluto, e refere-se à humanidade enquanto tal, não é um deus particular de um povo, judeu ou cristão, ou um deus de igreja, de rebanho, que escolhe uns e rejeita outros, que salva uns e condena outros. Non est acceptio personarum apud Deum, o verdadeiro Absoluto não faz acepção de pessoas.

Todas as desgraças e todas as violações humanas produzidas pela religião surgiram apenas porque o Deus particular foi identificado com o Absoluto, não foi relativizado ao contexto histórico e psicológico […].

Nossas disputas intelectuais e religiosas não são, simplesmente, e aqui está uma constatação de extrema relevância, uma questão de verdade, de verdadeiro ou falso no sentido ontológico; são, antes de tudo, uma forma peculiar de psicologia, uma autoexpressão de quem nós somos. A compreensão correta desse tema seria fundamental […] para uma religião à altura do nosso tempo presente, para um Deus de acordo com nossos dias.

Se um psicólogo treinado vir bem o discurso condenatório da fé, o discurso em que o devoto lança o outro ao castigo infernal, logo perceberá que há um certo prazer nesse discurso, o prazer da condenação, o prazer de tomar a vida do outro como objeto de uma ordem, de um comando eterno proferido pelo divulgador da verdade; há, nesse discurso, o que Nietzsche chamou de “sede de ser carrasco” e de “vontade de perseguir” …

O Absoluto, necessariamente, é aquilo que se revela nas concepções humanas das religiões, mas transcende todas elas, jamais pode ser identificado com elas.

Sinopse:

Deus para os dias de hoje: um ensaio para a religiosidade contemporânea é um texto de psicologia da religião, porém, os caminhos dessa psicologia, inevitavelmente, cruzam-se com a metafísica e com a reflexão tipicamente filosófica.

Poderíamos dizer, portanto, que é um ensaio de psicologia que entra na filosofia e que, na investigação, chega a conclusões que estão além da psicologia.

Depois de uma análise da problemática objetivo-subjetiva concernente a Deus, que raciocina sobre os dois polos onde Deus necessariamente aparece, dando destaque à subjetividade humana, condição necessária para todo ato de fé, o ensaio traz a tese de que somente uma concepção aberta de Deus como Absoluto, numa fé também aberta, é uma concepção de Deus para os dias de hoje, ou: um Deus que seja de acordo com a mente contemporânea.

Para chegar a essa conclusão, verifica-se, antes, tudo o que a fé dogmática, fechada, que ostenta sua própria convicção particular como verdade absoluta, causa, e causou, de segregação e de deformação na índole humana; aqui se entra, propriamente, no âmago dos perigos psicológicos da fé dogmática.

A tese, por fim, que ressoa neste ensaio é uma ideia de Deus que abarque todas as perspectivas, todas as formas de crenças, num grande abraço fraternal que chamamos de humanidade, uma verdadeira fé humanizada, uma fé para os dias de hoje.

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