CASADA COM OS TRÊS DEMÔNIOS DA INQUISIÇÃO: Um pacto. Três demônios. Nenhum perdão
Por Ernane Rosa MartinsSobre o livro
CASADA COM OS TRÊS DEMÔNIOS DA INQUISIÇÃO Um pacto. Três demônios. Nenhum perdão.
A VILA PRECISAVA DE UM MILAGRE. EU OFERECI UM PECADO.
Villanueva del Arroyo, 1492.
Enquanto a Inquisição queima mulheres nas fogueiras, uma praga silenciosa devora minha vila por dentro. Meu pai morreu com a língua inchada. Minha mãe beijou meu ombro antes de arder. Minha irmã tem quatorze anos e terra nos dentes.
O padre diz que Deus exige sacrifício. O padre diz que meu corpo é a oferta. O padre diz que ele mesmo consagrará minha virgindade.
Enterrei a faca no pescoço dele antes que terminasse a frase.
Na calada da noite, invoquei aqueles que nem o céu nem o inferno reivindicam.
Três sombras emergiram do bosque. Três pares de olhos que já viram a face de Deus. Três ex-arcanjos que fugiram do trono vazio.
Azrael. Ex-arcanjo da Morte. Sádico. Dominador. Seis mil anos sem sentir dor — até eu cravá-lo.
Cassiel. Ex-arcanjo do Conhecimento. Manipulador. Gaslighter. Guardião de livros que Deus escondeu — agora usados para quebrar minha mente.
Remiel. Ex-arcanjo da Cura. O gentil. O perigoso. Aquele que amou humanos demais — e os matou por acidente. Ou teste. Ou solidão.
Um ano como noiva. A vila salva.
O contrato exigia sangue de nascimento. Sangrei entre as pernas. Assinei com o dedo manchado. Senti o pergaminho de pele humana arfar sob minha palma.
— Que pecado cometeram? — Amamos humanos demais.
Mentira. Descobriria depois. Todas as palavras deles são mentiras — exceto quando confessam o pior.
NÃO ME TORNEI VÍTIMA. TORNEI-ME ALGOZ.
Eles me inspecionaram como gado. Banharam-me em água benta que queimou minha pele. Açoitaram-me enquanto eu gozava e me odiava por isso.
Azrael queria minha dor. Cassiel queria minha mente. Remiel queria minhas lágrimas — e eu chorei.
Mas também aprendi.
Aprendi a ferir Azrael onde ninguém jamais o ferira. Aprendi a esconder segredos de Cassiel, o onisciente. Aprendi a odiar Remiel com a intensidade que ele sempre desejou.
Aprendi que meu corpo era campo de batalha — e que eu podia vencê-lo.
DEPOIS, OS FILHOS VIERAM.
Três herdeiros. Um de cada. Asas negras. Olhos antigos. Mãos que curam.
E uma quarta criança, concebida na noite do meu casamento quádruplo: uma menina com chifres que equilibra céu e inferno, que vê o futuro e um dia perguntará ao vazio:
— Por que me abandonaram?
A VERDADE? A peste era deles. O pacto é falso. Deus está morto.
E eu, Isabella de Villanueva — última virgem da vila, primeira rainha do castelo, esposa de três demônios, mãe de quatro abominações, assassina de um padre e semi-deusa por escolha própria — ainda escolhi ficar.
Não por contrato. Não por obrigação. Por vontade.
Agora o céu exige minha cabeça. Lúcifer quer um herdeiro. A Inquisição reúne um exército.
E eu responderei com fogo, sangue e a única verdade que aprendi em cem anos:
Alguns paraísos precisam ser construídos com pecados.
Porque o amor não precisa ser puro. Precisa ser escolhido.
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