Sobre o livro
Em sua música, a passagem que Kleiton Ramil diz ser um “processo em direção ao mundo eletroacústico” não é apenas isso.
Na verdade, a passagem é feita do real ao onírico, do semântico ao não-semântico, da presença da voz à presença-ausência (como diria Pierre Boulez) da voz, atingindo uma única permanência final, a da natureza. Nestes processos de passagem, o subtexto é sempre e obviamente o mesmo.
A música é guiada por eventos conscientes e por eventos que, de subconscientes, são trazidos pelo compositor para o pré-consciente. Esta mecânica confirma o processo descrito pelo compositor Jonathan Harvey, ao falar da apropriação e incorporação da experiência pessoal ao processo criativo.
Todas estas passagens, que também representam um progressivo estranhamento em relação à origem e à natureza das fontes sonoras, admitem ainda um último paralelo, de origem intimamente multidisciplinar.
São os referenciais teóricos (ou apenas “referenciais”) do presente trabalho que vão sendo substituidos à medida que o processo composicional avança no tempo, obra por obra.
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