Sobre o livro
Viver em sociedade é ser visto, julgado e condenado e, assim, pessoas por aí se vestem de algo que não são, se escondem atrás de portas abertas.
A dona da escola de balé é vista como culta e sensata; a dona de uma boate como sem classe e pudor; o respeitável supervisor de uma grande empresa, um homem de bem; e a moça negra em uma festa é confundida como a empregada do local.
Quando Alberto é atingido por um banho de tinta, conhece Júlia, uma professora de balé, negra, de sorriso frouxo e mãos habilidosas para pintura. Ele a julga um tanto irresponsável por abrir seu apartamento para que ele se limpasse do acidente. Ali, ele tem contato com um espelho, onde tem pintada a frase “A pessoa que estás vendo, vai te levar aonde quiseres!”.
Júlia, por sua vez, abre não só a porta do seu apartamento para consertar um acidente, ela mostra a ele que as luzes do palco ofuscam a visão, fazendo alguns dançarem como se ninguém pudesse ver, e quando ninguém vê Júlia, ela é livre entre pincéis, sapatilhas, sorrisos e lágrimas, tão transparente quanto as águas de Oxum.
Tendo o Guaíba como testemunha e o julgamento da sociedade, a vida de Júlia e Alberto não serão as mesmas.
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