Do colonialismo como nosso impensado

Por Eduardo Lourenço

Sobre o livro

Muitos leitores interessados em literatura e nos estudos da cultura portuguesa provavelmente já conhecem parte da obra de Eduardo Lourenço – filósofo, ensaísta, defensor da heterodoxia, desconstrutor de mitologias –, cujo pensamento se expande, com vivacidade e complexidade, por diversos campos do saber.

Poucos, no entanto, tiveram a oportunidade de se deparar com este arquivo sobre o colonialismo, que esse autor foi construindo, vigorosamente, ao longo de sua extensa trajetória intelectual.

Talvez a maior qualidade desta coletânea resida em reunir textos de diferentes naturezas discursivas – ensaio, monólogo, artigo, confissão, rascunho –, produzidos entre o final da década de 1950 e a descolonização, a ressaca imperial e seus traumas, articulando-os por meio do inventivo conceito de “impensado”.

São escritos marcados por momentos de urgência histórica, em que o curso dos acontecimentos – verdadeiro aviso de incêndio – convocava sua intervenção crítica.

Encontramos, aqui, uma leitura da violência política e simbólica que o fascismo e o colonialismo impuseram ao destino e à cultura portuguesa, com efeitos diretos sobre a crise da experiência colonial em África.

A Europa encontrava-se na fase de abandono dos modernos projetos coloniais, e Lourenço antecipava o que aconteceria, tempos depois, na Guerra Colonial em Angola, Moçambique e Guiné-Bissau, escrevendo textos que viemos a conhecer somente décadas mais tarde sob a rubrica dos Estudos Culturais ou Pós-Coloniais ou Decoloniais. Leiam este livro alertados de que há muito Brasil neste pensamento crítico de Portugal. Sabrina Sedlmayer

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