Sobre o livro
Seleção de 150 compostos ao longo de quase trinta anos. Contém dois capítulos: “Sonetos Diários”, sonetos individuais e “Contos Sonetados”, conjunto de sonetos que geram uma pequena história. Contém temas diversos como amor, vida, anseios, desejos, sociedade atual, observações em geral.
Cada soneto possui ritmos e métricas diferentes, e pode conter tons de alegria, tristeza, esperança, fantasia, realidade. São manifestações do estado de espírito da autora. Para ilustrar, seguem alguns sonetos que constam na obra:
ALQUIMISTA
Como alquimista Misturo elementos De morte, de vida De espaço, de tempo
De prata, de ouro De terra, de vento De água, de fogo Razões, sentimentos
Feiticeira louca Insiro em minha boca Toda essa mistura
De incrível alquimia… Ah, doce magia! Poesia pura!
UM MURO
Um muro nos separava Entre nós, um muro imenso Nossos corpos… lá estava Um alto muro de silêncio
Enquanto silenciavas Eu silenciava ao muro O muro me lastimava E eu lastimava este mundo
Este mundo me maldades De muros, de crueldades De templos de solidão
De ostentação de bobagens De injustiças de verdade E justiças de ocasião
AMOR E SOLIDÃO
Eu quero um pouco de amor E um pouco de solidão Um pouco do teu suor E um pouco de mansidão
Quero paz, oxigênio O frescor leve da brisa E também o ar rarefeito De quem voa, quem desliza
Quero a vida de quem vive Um amor nada perfeito Toda a sorte que não tive
Quero a mim e quero a ti Um pouco dos teus defeitos E um pouco do meu fugir
SILÊNCIO
Agora em silêncio Escrevo um poema Sozinha… Silêncio Silêncio é meu tema
Silêncio nas redes Silêncio na vida Silêncio daqueles Que querem justiça
Silêncio da imprensa Silêncio de artistas Silêncio nas mesas
Que andam vazias… Silêncio de guerra Silêncio que grita
MEUS FILHOS QUERIDOS
I Num dia de inverno Escrevo pros meus Tão perto do inferno Tão longe de Deus
Tão perto do erro Tão longe do acerto Escrevo, revelo As coisas que vejo
Meus filhos queridos: Não leiam meus versos Eu nada os ensino
Apenas transmito Os meus multiversos As coisas que sinto
II Eu não tenho nada A lhes ofertar Apenas palavras Que teimo em rimar
Incríveis sonetos A me atormentar Que correm e não chegam Em nenhum lugar
Meus filhos queridos: Não leiam meus versos Não leiam! Insisto
Apenas expresso Meus males complexos Nesses meus escritos
III Um dia eu amei Um dia esqueci Um dia deixei O tempo fluir
E ele fluiu E ele passou Passou e sumiu… Um dia acabou
Escrevo sobre isso E outras histórias Que presenciei
Amores perdidos Ideias, memórias Que eu mesma inventei
IV Porque escrever Também é inventar O coração vê Bem mais do que o olhar
Porque os poemas São como sementes Que a alma semeia No fundo da mente
A gente cultiva Também a poesia Na terra da vida
Deixando a casa Bem mais colorida Com as flores da escrita
V Por isso, meus filhos Não leiam meus versos Não leiam! Repito São sonhos dispersos
Desejos, anseios Questões impossíveis Vergonhas, receios… São coisas sensíveis
Prefiro que leiam O quanto eu os amo Em minhas atitudes
E um dia entendam Toda essa inquietude Do espírito humano
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