Diário de Sonetos

Por Caroline Germano

Sobre o livro

Seleção de 150 compostos ao longo de quase trinta anos. Contém dois capítulos: “Sonetos Diários”, sonetos individuais e “Contos Sonetados”, conjunto de sonetos que geram uma pequena história. Contém temas diversos como amor, vida, anseios, desejos, sociedade atual, observações em geral.

Cada soneto possui ritmos e métricas diferentes, e pode conter tons de alegria, tristeza, esperança, fantasia, realidade. São manifestações do estado de espírito da autora. Para ilustrar, seguem alguns sonetos que constam na obra:

ALQUIMISTA

Como alquimista Misturo elementos De morte, de vida De espaço, de tempo

De prata, de ouro De terra, de vento De água, de fogo Razões, sentimentos

Feiticeira louca Insiro em minha boca Toda essa mistura

De incrível alquimia… Ah, doce magia! Poesia pura!

UM MURO

Um muro nos separava Entre nós, um muro imenso Nossos corpos… lá estava Um alto muro de silêncio

Enquanto silenciavas Eu silenciava ao muro O muro me lastimava E eu lastimava este mundo

Este mundo me maldades De muros, de crueldades De templos de solidão

De ostentação de bobagens De injustiças de verdade E justiças de ocasião

AMOR E SOLIDÃO

Eu quero um pouco de amor E um pouco de solidão Um pouco do teu suor E um pouco de mansidão

Quero paz, oxigênio O frescor leve da brisa E também o ar rarefeito De quem voa, quem desliza

Quero a vida de quem vive Um amor nada perfeito Toda a sorte que não tive

Quero a mim e quero a ti Um pouco dos teus defeitos E um pouco do meu fugir

SILÊNCIO

Agora em silêncio Escrevo um poema Sozinha… Silêncio Silêncio é meu tema

Silêncio nas redes Silêncio na vida Silêncio daqueles Que querem justiça

Silêncio da imprensa Silêncio de artistas Silêncio nas mesas

Que andam vazias… Silêncio de guerra Silêncio que grita

MEUS FILHOS QUERIDOS

I Num dia de inverno Escrevo pros meus Tão perto do inferno Tão longe de Deus

Tão perto do erro Tão longe do acerto Escrevo, revelo As coisas que vejo

Meus filhos queridos: Não leiam meus versos Eu nada os ensino

Apenas transmito Os meus multiversos As coisas que sinto

II Eu não tenho nada A lhes ofertar Apenas palavras Que teimo em rimar

Incríveis sonetos A me atormentar Que correm e não chegam Em nenhum lugar

Meus filhos queridos: Não leiam meus versos Não leiam! Insisto

Apenas expresso Meus males complexos Nesses meus escritos

III Um dia eu amei Um dia esqueci Um dia deixei O tempo fluir

E ele fluiu E ele passou Passou e sumiu… Um dia acabou

Escrevo sobre isso E outras histórias Que presenciei

Amores perdidos Ideias, memórias Que eu mesma inventei

IV Porque escrever Também é inventar O coração vê Bem mais do que o olhar

Porque os poemas São como sementes Que a alma semeia No fundo da mente

A gente cultiva Também a poesia Na terra da vida

Deixando a casa Bem mais colorida Com as flores da escrita

V Por isso, meus filhos Não leiam meus versos Não leiam! Repito São sonhos dispersos

Desejos, anseios Questões impossíveis Vergonhas, receios… São coisas sensíveis

Prefiro que leiam O quanto eu os amo Em minhas atitudes

E um dia entendam Toda essa inquietude Do espírito humano

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