Sobre o livro
Poema do livro “Labirinto das Rosas”, de José Carlos Gouvêa Barbosa
Pianos Quebrados
Pertenço a uma rosa queimada, a uma infância
desabitada, convertida em um úmido nevoeiro
e noturnas taças de vinho e pêssegos pedregosos,
ao amanhecer que volta germinando esperança e sede.
O mar não cicatriza os espelhos… A intenção de
pianos quebrados em estações ferroviárias, onde morre
um poeta, é a valsa da bailarina e do sangue,
que corre como um rio e vai urdindo a memória…
Tardes desapiedadas despedem-se dos rostos e da
gloriosa brancura dos espaços ocultando o inevitável mármore
no dialeto de olhares que comovem os caminhos…
Poucos salvam-se da cumplicidade das cores,
da magia de numerosas substâncias e objetos da sombra,
e alcançam o propósito ilimitado das elegantes tempestades…
JCGB
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