Trilhas da sublimação em Bertha Pappenheim: Da Histeria à Escrita

Por Raquel Jardim Pardini

Sobre o livro

Iniciamos, em 2017, estudo sobre o destino da paciente Anna O. – “Os caminhos da sublimação em Bertha Pappenheim (Anna O.)”. Bertha, paciente de Breuer em Estudos sobre a Histeria (1895), cunhou a expressão “talking cure”, cura pela fala. Breuer usava o método catártico.

A paciente era de família ortodoxa judia em Viena. Segundo Lacan (1962), o inventor da psicanálise não é Freud, mas Anna O. e, por trás dela, muitos outros, nós todos (p. 190). Was Will das Weib? “O que quer a mulher?”.

Freud (1933) deixou a resposta a-Bertha, recorreu aos poetas e sugeriu aguardar até que a ciência pudesse dar informações mais profundas sobre esse enigma. Segundo Soler (2003), Bertha sublimou sua feminilidade.

Sua mudança subjetiva passou pela escrita, traduziu textos sagrados do iídiche para o alemão e escreveu artigos sobre os direitos da mulher. Com um pseudônimo masculino, lutou pelo ativismo feminista. Bertha criou o primeiro lar (Heim) para crianças órfãs e mulheres judias em uma época misógina.

No seu último livro O trabalho de Sísifo (1924), a autora compara sua luta contra a escravidão branca e os direitos femininos com o trabalho de Sísifo. Partimos da sublimação e chegamos ao conceito de letra na teoria lacaniana.

Bertha transformou seu nome herdado, Pappenheim, em sua causa feminista: Heim, lar para mulheres e órfãos judeus. Apresentamos também o nome de outras mulheres que lutaram e contribuíram com a psicanálise e a civilização.

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