Sobre o livro
Este pequeno livro reúne 17 ensaios sobre diversos temas relacionados às artes plásticas e à estética.
Os 15 primeiros ensaios problematizam alguns dos conceitos fundamentais da arte contemporânea, tais como a abstração, a relação entre a arte e a técnica ou a manifestação do conceito na produção artística.
Sua linguagem leve e a abordagem acessível devem-se a que estes ensaios tenham sido publicados, originalmente, como artigos em jornal.
Os dois últimos ensaios fazem uma breve análise da história da cultura. O penúltimo ensaio é uma análise sobre a Modernidade e a sua assunção estética. O último ensaio, por outro lado, dialoga com a simbologia de nossa própria época, por alguns denominada de Pós-Moderna.
Ensaios publicados
- O emocional na arte
- O espaço e a representação na história da arte
- A apreciação e o objeto artístico
- A arte e o abstracionismo
- A estética do irregular
- A relação entre arte e técnica
- Crítica ao Neoexpressionismo
- A arte conceitual
- O admirável e o estético
- O trauma moderno da História
- Pompier contemporâneo
- Valores artísticos e comerciais
- A interpretação de Leonardo
- Van Gogh e o signo da contrariedade
- A estética de Max Bense
- Algumas relações estéticas da Modernidade
- Simbologia da cultura do século XX
Dois trechos selecionados
“A emoção, contemporaneamente, está associada ao novo, à moda.
O novo, filho da indústria, reveste-se da estética para agradar, para tornar-se objeto de desejo. Superficialmente admirável, o novo cria a esfera da experiência que sempre está mais além.
“O choque perceptivo que, em princípio do século, era o mote estético das vanguardas artísticas, foi absorvido pela indústria do novo e, desde então, tem sido tão conjugado pela publicidade que chega, hoje, quase à anestesia.
A emoção ofertada pela publicidade é imediata, passageira porque necessita ser descartável, intensa porque competitiva.
“Se apreender a arte é obter dela um lampejo emocional, de acordo com a visão do senso comum, como compatibilizar Rembrandt com refrigerante, Grünewald com o último tipo de automóvel?.” —————- “Um exemplo desta distinção entre as categorias estéticas abstrativa e naturalista é possível encontrar em Walter Benjamim.
Quando o autor descreve, em um de seus livros, os dois tipos básicos de narrador, quais sejam, o camponês e o marinheiro, temos uma analogia com as duas categorias estéticas principais. “O camponês, cuja vida transcorreu totalmente em um mesmo local, conhece deste local toda a sua história.
Viu as crianças crescerem, viu as boas e as más colheitas, viu os que se foram. Tem, com esse local, uma identidade completa. A proximidade dele com os fatos faz com que sua narração transmita suas tradições, seus costumes.
A experiência deste narrador, transmitida por suas estórias, é de natureza empática, insere-se na categoria estética do naturalismo. “O marinheiro, ao contrário, tem sua vida transcorrendo em muitos locais diferentes.
Sua narratividade traz aos ouvintes os fatos distantes não no tempo, como o camponês mas, sim, distantes no espaço. Sua experiência não é contígua, unitária, mas é a articulação de múltiplas vivências. A narração do marinheiro funda-se sobre a possibilidade de transcendência dos fatos isolados.
Sua narração é um exemplo de narratividade abstrata.”
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