Sobre o livro
A proposta da obra é oferecer referências não só válidas, mas também reflexivas a respeito do erro humano e a sua relação com outros erros e também com os acertos. Este livro enfatiza muitas vezes o aspecto “bom” do erro humano, que este não é fracasso.
Isso não significa necessariamente que erros em si sejam bons, mas suas consequências – descobrir as razões por que os cometemos e o que aprendemos com eles – podem ser muito úteis para que sejam evitados no futuro. Goste ou não, você já incorreu em alguma falha. Aliás, todos nós.
Por ação ou omissão, um sem-número de erros ocorre aqui e ali, todos os dias, denunciando a sua multiplicidade de significados. Curiosamente, não há um ser humano que não compartilhe dessa condição errática, mesmo aqueles que estão próximos de nascer.
Apesar de valorizar o que está correto e enaltecer o êxito, diversos setores da sociedade dependem do erro humano para continuar exercendo sua influência na vida de cada indivíduo.
Sem essa manifestação corriqueira, o que seria da Religião, da Ciência, da filosofia, da cultura da autoajuda, dos meios de comunicação, enfim, da própria humanidade.
Desvios morais, ilicitudes e conflitos humanos sequer existiriam, nem mesmo milhares de guerras se justificariam — pequenas e grandes, famosas e desconhecidas. Tampouco o ser humano poderia desenvolver qualidades como paciência, humildade, empatia, generosidade, compaixão, inteligência entre outras.
Mahatma Gandhi chegou a alertar para o fato de que “de nada adianta a liberdade se não temos liberdade de errar”. Permitir errar é fundamental para que se possa viver com consciência, prudência e sabedoria.
Por gerações, muitos de nós dão as mesmas respostas aos desafios, sedimentando uma maneira “engessada” de viver que não tem qualquer frescor e carece de criatividade e originalidade. Busca-se podar a possibilidade de falhar, sem saber ao certo o que é errar.
Através de frases curtas, citações e perguntas que promovem a reflexão, o leitor é levado a ponderar sobre o que é bom para todos, empregando aquilo que lhe é inerente: a razão. Em várias páginas podem ser encontrados três símbolos de interrogação (???), indicando que se está diante de um questionamento apesar de ser uma afirmação, pois o que se quer é a ponderação.
O livro adota um enfoque cético mas que é racional e positivo, que além de procurar manter a mente aberta, parte da premissa de que fazer o bem aos seres vivos, não lhes fazer o mal e não lhes prejudicar, depende também de não promovermos a dúvida e a incredulidade irracionais com propósitos gananciosos. Afinal, respeitar a dignidade do outro também é prezar a sua inteligência.
São propostas inúmeras questões, por exemplo:
– Cometer erros é uma parte essencial da experiência humana, graças a eles nós crescemos e aprendemos. As oportunidades deles ocorrerem são quase infinitas, podendo surgir a qualquer momento, todos os dias. Isso mesmo, não há um dia sequer completamente isento de equívocos.
– Sabemos que a população mundial se aproxima da marca dos 8 bilhões de pessoas e que todas têm o potencial de equivocar-se diversas vezes e de diferentes maneiras, num mesmo dia.
Consequentemente, dentro de uma grande cidade o volume de erros humanos produzidos no intervalo de 1 hora certamente é extraordinariamente grande.
Consideremos que há 38.000 cidades grandes no mundo (de um total aproximado de 2.500.000), isso faz com que o número total de falhas humanas, que já era imensamente grande, alcance o patamar do imensurável.
São reflexões como essas que vamos encontrar a cada página, que pretendem questionar as nossas convicções. O que se quer, é que pensemos por nós mesmos e não como o autor pensa. Trata-se de uma excelente oportunidade para exercitarmos a dúvida saudável, que leva ao esclarecimento daquilo que é potencial ou inegavelmente nocivo.
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