NOVO TABACO: Como a economia da atenção sequestrou nossas mentes

Por Daniel Guedes

Sobre o livro

Durante décadas, acreditamos que as redes sociais eram apenas ferramentas neutras de comunicação. Plataformas para compartilhar fotos, ideias e momentos. Este livro parte de uma constatação incômoda: essa narrativa não se sustenta mais.

Novo Tabaco investiga como a economia da atenção transformou tecnologia em um sistema de captura psicológica, baseado não em informação, mas em dependência. Assim como a indústria do cigarro aprendeu a refinar a nicotina para maximizar o vício, as grandes plataformas digitais aprenderam a refinar algoritmos para explorar vulnerabilidades cognitivas humanas — especialmente em cérebros ainda em formação.

A partir de documentos internos de empresas de tecnologia, depoimentos judiciais, pesquisas científicas, relatos de engenheiros arrependidos e análises filosóficas contemporâneas, o livro reconstrói a arquitetura invisível que sustenta feeds infinitos, notificações incessantes, recomendações algorítmicas e sistemas de recompensa variável.

Nada disso é acidental. Trata-se de um modelo de negócio cujo produto real não é o conteúdo, mas o comportamento humano.

O autor traça um paralelo direto entre o atual momento das big techs e o colapso jurídico da indústria do tabaco nos anos 1990. O centro do debate já não é mais o conteúdo publicado pelos usuários, mas o design deliberado dos produtos: escolhas de engenharia que maximizam tempo de tela, antecipação emocional e engajamento compulsivo, mesmo quando seus efeitos sobre a saúde mental são conhecidos internamente.

Ao longo do livro, casos reais de tribunais nos Estados Unidos, Europa, Austrália e Brasil mostram como essa arquitetura começa a ser questionada juridicamente. Crianças e adolescentes surgem como o epicentro de um conflito que ultrapassa indenizações individuais e coloca em xeque a legitimidade de um modelo econômico inteiro.

Novo Tabaco não é um livro contra a tecnologia. É um livro sobre poder, responsabilidade e escolhas estruturais. Um convite a enxergar o que foi naturalizado: que uma economia baseada na extração contínua de atenção não é compatível com autonomia, silêncio, infância ou liberdade psíquica.

Ao final, o leitor é confrontado com uma pergunta simples e desconfortável: se hoje sabemos que esses sistemas causam dano, o que significa continuar tratando isso como normal?

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