Artesão

Por Roger Dageerre

Sobre o livro

Era uma vez uma viúva de nome Analina, que morava apenas com o filho caçula de dez anos de idade, pois o mais velho, com vinte anos, já tinha cumprido dois dos dezoito anos que fora condenado por ter assassinado, com requintes de crueldade, um rapaz numa festa infantil.

Crono foi criado com carinho e muito amor, mas depois do falecimento de seu pai, ele tornou-se um jovem violento, como se a morte do pai tivesse provocado uma revolta ao ponto dele se tornar o chefe de uma gangue de rua.

Já o irmão, Bruno, transformou-se em um verdadeiro religioso, pois vivia lendo a Bíblia Sagrada tentando encontrar um jeito para salvar o seu irmão. Na verdade, uma tentativa em vão, pois Crono não estava nem um pouco interessado em ser salvo.

Na véspera da visita, Dona Analina lavou as roupas do filho preso e, ao estendê-las deixou cair um pegador de roupas. O filho Bruno percebeu, ajuntou, mostrou à sua mãe, e ela disse: – Está quebrado, pode jogar fora. – Posso consertá-lo… – Não presta mais, pois quebrou o arame que servia de mola.

Assim, toda vez que eu prender a roupa no varal, o pegador vai cair porque está sem pressão. – Então eu posso ficar com ele? – Isso não serve mais para nada. – Tive uma ideia. Posso ficar com o pegador quebrado? – Por mim, tudo bem.

Dona Analina continuou estendendo as roupas, pois precisava secá-las porque tinha que levá-las ao filho no dia da visita.

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