Sobre o livro
Sátira didática em forma de narrativa onde o autor Jonas Batista dos Santos, tem o objetivo claro: defender a ortodoxia católica contra as heresias fruto de uma combinação de ignorância, vaidade e má formação que leva às escolhas individuais.
Um tipo de “catequese narrativa” que usa humor e confrontação para corrigir desvios teológicos em meios católicos. O autor conhece a teologia que defende. As correções feitas por Ionas e Pe. Lemos são teologicamente sólidas e refletem o ensino do Catecismo e da tradição.
O livro pode funcionar como alerta divertido e traz junto a isso a razão de certas questões não serem de nossa competência e de não expolas a todas as pessoas.
Miguel Janssen é o ponto alto da narrativa, o herege, ele é um tipo humano reconhecível: o autodidata que confunde leitura superficial com sabedoria, que decora frases de efeito, versículos e que quer a admiração sem o trabalho do estudo.
Os diálogos, especialmente entre Ionas e Miguel, são bem construídos, ágeis, irônicos e divertidos. A arte na criação dos embates verbais é eficaz em expor a falácia do pensamento herético.
A sátira não somente combate as heresias, também combate o “fariseu católico” como causa de mais heresias e o crédulo que dá mais valor a uma suposta “revelação alheia” do que ao ensinamento da Igreja. Essas críticas são pertinentes e bem colocadas.
A personagem Ionas é a voz da razão, do conhecimento e da ortodoxia. Ele não tem dúvidas, não tem falhas, não tem falsa caridade pastoral. A sua “paciência franciscana” não dura três heresias e adota postura combativa.
O autor parece querer que o leitor também se divirta com a humilhação, há riqueza de alto nível ao tentar ensinar a virtude da humildade através de uma personagem que poderia ser movida por orgulho intelectual, mas Ionas é movido por amor pela verdade e amor de caridade.
Há uma ironia trágica aqui: Ionas trata Miguel com o mesmo desprezo que Miguel trata os outros quando se acha “iluminado”. A diferença é que Ionas está certo. Um leitor que se identifica com Miguel não pensará: “Preciso estudar mais.”.
Ele pensará: “Preciso evitar pessoas como o Ionas.” e essa é a intenção, trazer um pouco de autorreconhecimento ao herege. O autor não acredita em redenções reais pela educação. A redenção de Miguel foi por intervenção divina sutil e ela está nas entrelinhas.
Não foi um convencimento após bons argumentos, Jesus o encontrou. O autor não fomenta a resposta humilhante, a humilhação foi consequência e não o motivo da correção existir.
Heréticos não se convertem após serem expostos a bons argumentos, então a postura combativa ocorre entre os irmãos somente em vista de expor a verdade dos fenômenos abordados.
O autor ou a fé não fomentam humilhar protestantes ou heréticos católico e, não obstante, de forma não idealizada, o humor sarcástico é característica individual, o próprio Jesus elogiou Natanael ao usar de ironia sarcástica ao questionar se poderia Nazaré prover algum bem.
O humor é mais próximo do humor de Nosso Senhor, não obstante por homens pecadores. Como arte literária, semanticamente, há uma execução pública do um herege em suas ideias. Pe. Lemos age contra o farisaísmo católico que condena todos ao inferno.
Com fala piedosa, deixa claro que certas questões como quem descerá ou subirá aos céus é da arbitrariedade de Deus e que nós possuímos noções muito difusas sobre isso.
Inspirado no venerável Fulton John Sheen, também conta piadas de sacristia e profere longo discursos teológicos que pode quebrar o ritmo narrativo para os leitores dessa geração menos apta a leituras longas, mas é excelente aula.
O Herege é um livro que cumpre sua função didática para um público muito específico, o leitor católico mais verdadeiro e capaz de reconhecer as próprias limitações, o católico que reconhece que não é possível entender tudo e tem a santa Igreja Católica como a coluna e sustentáculo da verdade.
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